TEERÃ, 27 Out 2009 (AFP) - O Irã aceita a base do acordo proposto pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para enriquecer seu urânio no exterior, mas quer introduzir mudanças importantes no projeto, informou nesta terça-feira o canal de televisão estatal Al-Alam.
"O Irã aceita o marco geral do projeto de acordo, mas quer mudanças importantes", declarou uma fonte ligada às negociações, citada pela emissora em língua árabe.
A mesma fonte afirmou que o Irã apresentará dentro de dois dias sua resposta oficial à AIEA.
Ao ser consultado, o chanceler francês, Bernard Kouchner, considerou um mau sinal a demanda iraniana de introduzir mudanças importantes no projeto.
O projeto de acordo proposto em 21 de outubro pela AIEA pretende acabar com os temores ocidentais sobre a natureza das atividades nucleares iranianas.
Estados Unidos, Rússia e França já aprovaram o acordo, mas o Irã anunciou na sexta-feira que precisava de mais tempo para anunciar sua posição.
O projeto prevê que o Irã entregue 1.200 quilos de urânio enriquecido a menos de 5% para ser processado e enriquecido a 19,75% na Rússia, antes da França fabricar "material nuclear" para o reator de Teerã.
As mudanças citadas pelo canal Al-Alam podem ser a respeito das modalidades de entrega e da quantidade de urânio, depois que autoridades iranianas rejeitaram a ideia de enviar ao exterior 1.200 dos 1.500 quilos de urânio enriquecido a 3,5% que o país possui.
O secretário do Conselho Iraniano da Reflexão, Mohsen Rezai, ex-comandante da Guarda Revolucionário, o exército ideológico do regime, já afirmou que o Irã deveria conservar 1.100 quilos de urânio enriquecido.
O chefe da diplomacia iraniana, Manuchehr Mottaki, afirmou que o país ainda não decidiu entre duas opções: comprar o combustível ou obtê-lo em troca de parte de seu urânio.
Apesar das críticas, alguns deputados influentes também manifestaram apoio ao projeto.
"Levando em consideração os esforços mútuos, é possível dizer que o acordo de Viena é uma vitória para os dois lados", declarou Seyed Hosein Naghavi Hoseini, membro da Comissão das Relações Exteriores do Parlamento.
O presidente da mesma comissão, Alaeddin Borujerdi, sugeriu que o paós faça a entrega por etapas.
Vários países ocidentais acusam o Irã de tentar obter armamento atômica sob a fachada de atividades nucleares civis, o que Teerã nega.
A questão do enriquecimento é vital, pois enquanto o urânio levemente enriquecido é utilizado nas centrais nucleares, o mesmo mineral muito enriquecido (90%) permite a produção de armas nucleares.
O "Grupo dos Seis" (China, Rússia, EUA, França, Reino Unido e Alemanha) se reuniu na segunda-feira para discutir a necessidade de um enfoque único para o tema.