O Irã comunicará na quinta-feira à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em Viena, sua resposta ao projeto de acordo que prevê a transferência ao exterior de parte de seu urânio enriquecido a baixo percentual para obter combustível nuclear, informou a agência Mehr.
"O representante iraniano na AIEA, Ali Asghar Soltanieh, se reunirá na quinta-feira em Viena com (o diretor da agência da ONU) Mohamed ElBaradei e dará a resposta do Irã", informa a agência.
A Mehr, que cita uma fonte do governo não identificada, acrescenta que "na resposta definitiva, o Irã aceita a base elaborada durante as negociações de Viena para o fornecimento de combustível destinado ao reator de Teerã, mas propõe modificações no texto do projeto de acordo".
Na véspera, o Irã afirmou aceitar a base do acordo proposto pela AIEA para enriquecer seu urânio no exterior, mas acrescentou que quer introduzir mudanças importantes no projeto.
O projeto de acordo proposto em 21 de outubro pela AIEA pretende acabar com os temores ocidentais sobre a natureza das atividades nucleares iranianas.
Estados Unidos, Rússia e França já aprovaram o acordo, mas o Irã anunciou na sexta-feira que precisava de mais tempo para anunciar sua posição.
O projeto prevê que o Irã entregue 1.200 quilos de urânio enriquecido a menos de 5% para ser processado e enriquecido a 19,75% na Rússia, antes da França fabricar "material nuclear" para o reator de Teerã.
As mudanças podem ser a respeito das modalidades de entrega e da quantidade de urânio, depois que autoridades iranianas rejeitaram a ideia de enviar ao exterior 1.200 dos 1.500 quilos de urânio enriquecido a 3,5% que o país possui.
O secretário do Conselho Iraniano da Reflexão, Mohsen Rezai, ex-comandante da Guarda Revolucionário, o exército ideológico do regime, já afirmou que o Irã deveria conservar 1.100 quilos de urânio enriquecido.
O chefe da diplomacia iraniana, Manuchehr Mottaki, afirmou que o país ainda não decidiu entre duas opções: comprar o combustível ou obtê-lo em troca de parte de seu urânio.
Apesar das críticas, alguns deputados influentes também manifestaram apoio ao projeto.
"Levando em consideração os esforços mútuos, é possível dizer que o acordo de Viena é uma vitória para os dois lados", declarou Seyed Hosein Naghavi Hoseini, membro da Comissão das Relações Exteriores do Parlamento.
O presidente da mesma comissão, Alaeddin Borujerdi, sugeriu que o país faça a entrega por etapas.
Vários países ocidentais acusam o Irã de tentar obter armamento atômica sob a fachada de atividades nucleares civis, o que Teerã nega.
A questão do enriquecimento é vital, pois enquanto o urânio levemente enriquecido é utilizado nas centrais nucleares, o mesmo mineral muito enriquecido (90%) permite a produção de armas nucleares.
O "Grupo dos Seis" (China, Rússia, EUA, França, Reino Unido e Alemanha) se reuniu na segunda-feira para discutir a necessidade de um enfoque único para o tema.