TEGUCIGALPA, Honduras, 27 Out 2009 (AFP) - Os Estados Unidos encabeçam nesta quarta-feira um novo esforço para tentar fazer Honduras superar a crise política que completa quatro meses após o golpe que tirou Manuel Zelaya do poder.
Uma delegação chefiada pelo subsecretário de Estado para assuntos latino-americanos dos Estados Unidos, Thomas Shannon, chega nesta quarta a Honduras.
"A delegação se reunirá com representantes de ambas as partes para discutir estratégias para fazer avançar" o Acordo de San José, informou o porta-voz do Departamento de Estado, Ian Kelly.
Os delegados pedirão, tanto ao governo de fato, como ao presidente deposto Manuel Zelaya, que "mostrem flexibilidade, redobrando seus esforços para acabar com a crise", disse Kelly.
Shannon estará acompanhado pelo vice-secretário de Estado, Craig Kelly, e pelo assessor da Casa Branca para a América Latina, Dan Restrepo.
Depois de várias semanas de negociações, as equipes de ambas as partes não conseguiram um consenso em relação ao ponto central: a restituição do poder a Zelaya, como exige a comunidade internacional, o que o presidente de fato, Roberto Micheletti, não aceita.
Na última sexta-feira, Zelaya rejeitou a proposta de Micheletti para a renúncia de ambos à presidência e a formação de um governo de transição, visando solucionar a crise política no país.
"Seria indecoroso, indecente para o povo hondurenho seu eu negociasse o cargo para o qual fui eleito. Não teria valido a pena a luta que estamos travando...", disse Zelaya após escutar da delegação da Organização dos Estados Americanos (OEA) os termos da proposta.
Zelaya destacou que a nova proposta ignora o Acordo de San José, o plano proposto pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias, no qual se baseiam as negociações em Tegucigalpa.
Após a decisão de Zelaya, a comissão negociadora do governo de fato admitiu que as negociações estavam encerradas.