WASHINGTON, EUA, 28 Out 2009 (AFP) - Os atentados no Paquistão e a constatação de que o mês de outubro se converteu no mês com mais baixas para o exército americano no Afeganistão acrescentam mais pressão sobre o presidente Barack Obama que, por sua vez, avalia o envio de um reforço de tropas a esse país.
"A situação está se deteriorando, enquanto assistimos a este longo processo de tomada de decisão", de Obama, disse o senador republicano John McCain à CBS, nesta quarta-feira.
"O presidente dos Estados Unidos deve tomar uma decisão, e pronto. Nossos aliados estão nervosos e nossos comandante militares, frustrados", acrescentou.
A Casa Branca diz que o tempo gasto por Obama para tomar a decisão é justificado; é muito séria a resolução de mandar ou não dezenas de milhares de americanos para a guerra.
"Não acho que o povo americano concorde com o senador McCain sobre este ponto", disse o porta-voz de Obama, Robert Gibbs.
Já o pouco apoio do público americano à guerra está sendo posto à prova pelas recentes baixas no Afeganistão, que registrou, em outubro, o mês mais sangrento para o exército americano nos últimos 8 anos, desde a invasão.
Foram 53 mortes durante o mês em curso, segundo contagem da organização icasualties.org, superando os 51 mortos de agosto.
Um funcionário do Pentágono disse que outubro está sendo o pior mês para as tropas americanas no Afeganistão desde a invasão do país, em 2001.
As bombas artesanais foram responsáveis por mais de 60% das baixas militares das tropas ocidentais em 2009 no Afeganistão, segundo o icasualties.org.
O número de militares estrangeiros mortos na frente afegã chega a 445, incluindo 277 soldados americanos, desde o início de 2009, segundo contagem feita pela AFP com base nos dados do icasualties.org.
Os rebeldes afegãos, incluindo os talibãs derrubados do poder no fim de 2001, por uma coalizão internacional liderada pelos EUA, intensificaram sua ofensiva há três anos, e as ações vêm se multiplicando nos últimos meses.
Além disso, as suspeitas de fraude nas eleições organizadas no Afeganistão, somadas a um ataque talibã contra um complexo da ONU em Cabul que deixou 8 mortos, não ajudam a aliviar o ceticismo.
Enquanto isto, explosões de bomba no Paquistão - a mais recente deixou mais de 90 mortos no mercado de Peshawar nesta quarta-feira - geram nova instabilidade e nervosismo no governo paquistanês, aliado dos Estados Unidos.
Um atentado num mercado muito movimentado de Peshawar (noroeste) matou nesta quarta-feira mais de 90 pessoas, horas depois da chegada ao Paquistão da secretária de Estado americana, Hillary Clinton.
Os republicanos vêm os acontecimentos dos últimos dias como um sinal de que Obama deve aceitar o pedido do comandante geral, Stanley McChrystal, de enviar mais 40.000 soldados.