Golpe em Honduras obriga filho de Micheletti a renunciar à candidatura
O golpe de Estado em Honduras que depôs o presidente Manuel Zelaya há quase quatro meses teve uma inesperada vítima política para o presidente de facto Roberto Micheletti, seu filho.
O enviado para a América Latina do Departamento de Estado americano, Thomas Shannon, tentou durante toda a quarta-feira uma solução para a crise política em Honduras, mas não conseguiu aproximar as posições entre o presidente deposto Manuel Zelaya e o governo de fato de Roberto Micheletti.
Shannon, acompanhado pelo secretário de Estado adjunto Craig Kelly, pelo assessor da Casa Branca para a América Latina Dan Restrepo e pelo embaixador americano em Tegucigalpa Hugo Llorens, se reuniu por separado com Zelaya e Micheletti, mas não conseguiu resolver as divergências entre as duas partes.
Zelaya afirmou à AFP que os emissários americanos o consideram o "presidente dos hondurenhos" e que reiteraram a posição de não reconhecer as eleições convocadas pelas autoridades de fato para 29 de novembro, caso não seja restituído até a data.
Em Washington, no entanto, o embaixador americano na Organização dos Estados Americanos (OEA), Lewis Amselem, deixou aberta a possibilidade de reconhecimento das eleições.
Zelaya, derrubado em 28 de junho por um golpe de Estado, não apresentou detalhes do diálogo com Shannon e voltou a repetir que a solução para a crise depende do fato do regime de fato aceitar sua restituição ao poder.
A porta-voz de Micheletti, a negociadora Vilma Morales, defendeu a realização de uma reunião nesta quinta-feira para definir se o Congresso ou a Corte de Justiça deve dar a última palavra para restituir Zelaya.
Mas a equipe de Zelaya, que está há mais de um mês na embaixada do Brasil em Tegucigalpa, rejeitou a proposta.