BASE AÉREA DE DOVER, EUA, 29 Out 2009 (AFP) - O presidente Barack Obama assistiu nesta quinta-feira pela primeira vez, durante visita à base militar de Dover, à chegada dos caixões de soldados americanos mortos no Afeganistão.
Esta visita de Obama à base marca uma ruptura em relação às práticas de seu antecessor, o presidente George W. Bush, que proibiu qualquer cobertura da imprensa sobre a repatriação dos corpos de militares mortos em conflitos no exterior.
Obama deixou a Casa Branca na noite de quarta-feira acompanhado de alguns jornalistas para participar da cerimônia solene de chegada dos restos mortais dos militares que morreram nesta semana em território afegão, e que não figurava em sua agenda oficial.
Os caixões com os corpos de 15 soldados e três funcionários da DEA, a agência americana antidrogas, mortos na segunda-feira no Afeganistão, chegaram a bordo de um avião militar.
O presidente esperou de pé enquanto retiravam os caixões do avião e fez a saudação militar para cada um dos corpos que passavam a seu lado, carregados por seis soldados.
Foi a primeira visita de Barack Obama a este local onde são repatriados todos os militares americanos mortos no Afeganistão e no Iraque. Em seguida, reuniu-se com os familiares das vítimas na capela da base.
A proibição à imprensa de cobrir o retorno dos corpos dos soldados, decidida pelo ex-presidente George H. W. Bush durante a primeira guerra do Golfo, e mantida por seu filho George W. Bush, foi levantada em fevereiro deste ano pelo secretário da Defesa, Robert Gates, que deixou para as famílias a escolha: se querem ou não a presença da imprensa.
Nos Estados Unidos, as imagens de soldados prestando homenagem aos camaradas mortos, em caixões tirados do interior de um avião militar, após a morte em campos de batalha, fazem parte da memória coletiva - os piores momentos da guerra do Vietnã.
Fazem também lembrar, de agora em diante, o pesado tributo pago pelos Estados Unidos no Iraque e no Afeganistão onde 5.000 soldados americanos foram mortos. No Afeganistão, as tropas americanas registraram, em outubro, suas perdas mais significativas desde o início do conflito, em 2001.
A homenagem presidencial acontece num momento em que Barack Obama deve decidir se envia ou não reforços ao Afeganistão, onde já estão 68.000 soldados americanos. O general Stanley McChrystal, chefe das forças americanas e internacionais no Afeganistão, pede 40.000 homens suplementares para cumprir sua missão satisfatoriamente.
Segundo o influente senador John Kerry, o presidente poderia tomar sua decisão antes de partir para uma viagem de oito dias à Ásia, no dia 11 de novembro.