BOGOTÁ, Colômbia, 30 Out 2009 (AFP) - A Colômbia e os Estados Unidos assinaram, nesta sexta-feira, um acordo militar permitindo ao exército americano usar, pelo menos, sete bases na Colômbia - uma decisão que já foi motivo de uma crise na região e vem sendo vista com reservas no próprio país.
O acordo foi assinado em Bogotá pelo chefe da diplomacia colombiana, Jaime Bermudez, e o embaixador dos Estados Unidos na Colômbia, William Brownfield, confirmou à AFP um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores.
O texto, destinado, segundo Washington e Bogotá, a reforçar sua cooperação em matéria de luta contra as drogas e a guerilha, não foi divulgado.
"O acordo será publicado na próxima semana (...) com o objetivo de acabar com o narcotráfico e o terrorismo na Colômbia (...); portanto, nossos vizinhos e toda a região podem ficar tranquilos", declarou um pouco mais tarde o ministro colombiano à rádio RCN.
Em vigor durante dez anos, autorizará o exército dos Estados Unidos a usar, pelo menos, sete bases na Colômbia, país que faz fronteira com Venezuela, Equador, Brasil, Peru e Panamá.
Permitirá, ainda, a Washington compensar o fechamento, em setembro, de sua única base na América do Sul, no porto de Manta (Equador), de onde foram realizadas operações aéreas de vigilância do Pacífico, destinadas a interceptar carregamentos de cocaína.
Admitirá, também, a presença de 800 militares e 600 civis americanos em solo colombiano.
Estão concernidas pelo menos três bases aéreas, duas bases da Marinha e outras duas do Exército, em particular a de Palanquero (180 km a oeste de Bogotá), que dispõe de pista de pouso adaptada a aviões militares cargueiros, facilitando a militares americanos projetar-se além das fronteiras colombianas, segundo os detratores do acordo.
O anúncio da assinatura havia desencadeado, em julho e agosto, uma crise regional, acarretando a realização de uma cúpula da União das Nações da América do Sul (Unasul) na Argentina, em 28 de agosto passado.
Os países membros haviam, então, deixado claro que a presença de tropas estrangeeras na região não deveria, em nenhum caso atingir sua "soberania" ou sua "integridade".
Os vizinhos da Colômbia, em particular a Venezuela e o Equador, temem que as operações nessas bases, possam visá-los, principalmente em matéria de inteligência, o que Washington desmente.
O presidente venezuelano Hugo Chavez acusou o "império" americano de se lançar numa "nova ofensiva guerreira voltada contra a América do Sul".
Havia, além disso, anunciado, em setembro, ter assinado um novo contrato militar com a Rússia que, por sua vez, emprestará dois bilhões de dólares (1,4 bilhão de euros) a seu país para a compra de 92 tanques do tipo T-72 e lança-mísseis.
O acordo prorroga, segundo Bogotá, a cooperação já em prática como parte do "Plano Colômbia" de luta contra a guerilha e o tráfico de droga, pelo qual a Colômbia recebeu cerca de 5,5 bilhões de dólares de ajuda americana desde 2000.
Vem sendo motivo, também, de controvérsias no próprio país, principalmente em razão da imunidade de que usufruiriam os militares americanos, segundo citações da imprensa local.