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31/10/2009 - 10h37

Fim da crise em Honduras é vitória da política multilateral dos EUA

WASHINGTON, 31 Out 2009 (AFP) - A resolução da crise política em Honduras implica uma vitória para a nova política multilateral dos Estados Unidos, que soube intervir decisivamente para forçar um acordo em nome do consenso na região.

Ao longo de quatro difíceis meses de negociação, Washington pareceu, a princípio, superado por uma crise que pegou o governo de Barack Obama em plena reconstrução da política norte-americana em relação à América Latina.

A administração Obama sequer tinha ainda nomeado um novo vice-secretário para a região quando explodiu a crise hondurenha em 28 de junho, que foi rejeitado de forma unânime pela comunidade internacional.

"A principal lição é que apoiar esforços multilaterais ou regionais não significa ser passivo. Não basta acompanhar os processos e esperar que tudo se resolva ", analisa Michael Shifter, vice-presidente do centro de estudos Diálogo Inter-americano.

"O que o governo Obama deve aprender é que é preciso dar mais atenção à América Latina e que não se pode simplesmente cruzar os braços", acrescenta Jaime Daremblum, dp Instituto Hudson.

A repressão policial, a suspensão das garantias constitucionais e outros episódiso de tensão em Honduras foram enfaticamente reprovados por Washington com a suspensão da ajuda e entrega de vistos.

Esta última decisão causou um visível impacto na cúpula do país centro-americano, que começou a se dar conta que tinha muito a perder junto a Washington se o bloqueio político interno persistisse.

"Ajuda, comércio: não se pode subestimar a relação com os Estados Unidos", explica Shifter.

Ao mesmo tempo, a impaciência e imprudência do presidente deposto, Manuel Zelaya, forçou que os Estados Unidos assumissem a função de árbitro da situação.

As arriscadas manobras de Zelaya, inclusive, foram consideradas imprudentes pela secretária de Estado Hillary Clinton.

A volta de Zelaya a Honduras e sua invasão da embaixada brasileira também foram caracterizadas como uma atitude "idiota" pelo representante americnao junto à Organização de Estados Americanos (OEA), Lewis Amselem.

Mas o próprio Obama, assim como Hillary, reiteraram mais de uma vez que o regime de fato não podia esperar sair da crise apenas com a realização de eleições antecipadas.

A atitude de Washington até então ambígua foi criticada por suas contradições, mas essas hesitações foram parcialmente ocultas pelas próprias divisões internas e visível impotência da OEA.

O empurrão final foi dado, mais uma vez, pelos Estados Unidos ao enviar o vice-secretário para a América Latina, Thomas Shannon, para tentar resolver a situação.

"A delegação norte-americana ajudou muitíssimo a desbloquear a situação, principalmente Shannon", agradeceu o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza.

"Esta crise enfatizou o aspecto central de nossa diplomacia, que é conseguir acordos amplos, compartilhados por toda a região, e desenvolver ao mesmo tempo uma política pragmática baseada no diálogo e no compromisso com atores-chave da região", explicou Shannon, que espera há quatro meses ser nomeado embaixador no Brasil, mas que sofre o veto temporário de um único senador republicano, Jim DeMint, até então crítico em relação à posição do governo Obama quanto ao conflito em Hondura.

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