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02/11/2009 - 16h00

Situação afegã fica mais clara para Obama decidir sobre reforços

WASHINGTON, EUA, 2 Nov 2009 (AFP) - O fim anunciado da disputa eleitoral afegã retira um obstáculo maior para a aguardada decisão de Barack Obama quanto ao envio de reforços, mas ela obriga o presidente norte-americano a cooperar com um governo cuja legitimidade é fortemente questionada.

Com o cancelamento do segundo turno da eleição presidencial e com a vitória proclamada de Hamid Karzai, Obama vê desaparecer um grande obstáculo no momento de decidir se, apesar das perdas cada vez mais pesadas, enviará ou não os dezenas de milhares de homens a mais exigidos par seu comandante no Afeganistão.

Após a tomada dessa decisão antes do segundo turno previsto para domingo, a questão que se apresenta agora é se Obama vai anunciar nos próximos dias sua nova estratégia para o Afeganistão e para o vizinho paquistanês. Ou ele adiará sua decisão, talvez para depois de 19 de novembro, quando retornará de uma viagem à Ásia ?

Se o governo Obama parabenizou Karzai e assegurou que a legitimidade da eleição não foi afetada, ainda não se pronunciou publicamente nesta segunda-feira sobre o efeito dessa notícia sobre o prazo do anúncio que será feito sobre a nova estratégia afegã.

Obama programou para esta semana novas consultas sobre a estratégia afegã.

Independentemente da realização ou não de um segundo turno, o governo norte-americano havia se preparado para uma vitória de Karzai.

"Felicitamos o presidente Karzai por sua vitória nessa eleição histórica e continuaremos a trabalhar com ele, com seu novo governo, com o povo afegão e com nossos parceiros da comunidade internacional", indicou a embaixada dos Estados Unidos em Cabul em um comunicado.

Para o governo Obama, que tinha insistido para que Karzai aceitasse um segundo turno, o cancelamento afasta o perigo dos atos de violência anunciados pelos talibãs contra a votação e o risco de uma nova confusão após a proclamação dos novos resultados.

Mas a fraude constatada no primeiro turno da eleição abalou a legitimidade de Karzai. Obama deve dizer se aceita mobilizar reforços em um país liderado por um governo como esse, apesar do temor de um caos e de uma oposição crescente a essa guerra em meio à opinião pública norte-americana.

O comandante norte-americano no Afeganistão, o general Stanley McChrystal, pedia mais de 40.000 soldados que se juntem aos cerca de 68.000 que já estão em território afegão.

Diante do risco de divisões crescentes entre os afegãos, o governo norte-americano espera que Abdullah Abdullah, principal rival de Karzai nas eleições, continue a participar do diálogo nacional.

No entanto, o governo indicou na semana passada que contaria com as autoridades locais. "A própria natureza do Afeganistão é de nunca ter um governo central forte", disse a secretária de Estado Hillary Clinton.

Ela disse claramente que o governo Obama tinha objetivos mais modestos que o governo Bush: impedir que o Afeganistão sirva novamente de santuário da Al-Qaeda, em vez de construir uma democracia. No passado, "talvez tenhamos dado ênfase demais ao governo central e a essa ideia de que seria possível construir um país e transformar o Afeganistão de um dia para o outro", disse.

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