TEERÃ, 7 Nov 2009 (AFP) - O Irã se recusa a enviar o seu urânio enriquecido para o exterior em troca de combustível para seu reator de pesquisa em Teerã, disse neste sábado o presidente da Comissão da Segurança Nacional e de Assuntos Externos do Parlamento, Alaeddin Borujerdi, citado pela agência de notícias ISNA.
"Não há planos para enviar uma parte dos 1.200 quilos (de urânio levemente enriquecido) para outra parte para receber combustível. Isto está descartado, seja de maneira gradual ou de uma só vez", disse.
"Neste momento, nossos especialistas estão estudando como obter o combustível para resolver o problema. Ali Ashgar Soltanieh (representante do Irã na AIEA) está negociando para encontrar uma solução", continuou.
Em 21 de outubro, em Viena, como parte de uma reunião entre o Irã, França, Rússia e os Estados Unidos, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) apresentou um projeto de acordo que permitiria a Teerã garantir a entrega de combustível nuclear para seu reator de pesquisa.
Nos termos desse acordo, o Irã exportaria a maior parte do seu urânio levemente enriquecido para um enriquecimento suplementar na Rússia. Então, a França deveria se encarregar de transformar o material em combustível nuclear para operar o reator em Teerã.
Rússia, França e Estados Unidos concordaram rapidamente, mas isso não aconteceu com o Irã.
Na sexta-feira, em entrevista a redes de televisão turca, o presidente Mahmoud Ahmadinejad indicou que o Irã preferia comprar o combustível de que necessitava e estava disposto a continuar as negociações a esse respeito.
"Dissemos à AIEA que queremos comprar o combustível", anunciou.
"A agência disse-nos que alguns países estavam dispostos a vender o combustível. Estamos discutindo com eles para comprá-lo", acrescentou Ahmadinejad.
Na segunda-feira, Soltanieh indicou que o Irã estava "pronto" para uma outra reunião com a Rússia, EUA e França, acrescentando que ela queria comprar o combustível.
"Estamos dispostos a comprar o combustível de qualquer fornecedor, como fizemos há 20 anos na Argentina sob a supervisão da AIEA (...), a questão fundamental é assegurar o fornecimento de combustível", explicou.
"Estamos dispostos a participar de reuniões técnicas em Viena para que as preocupações técnicas (do Irã) sejam consideradas" no acordo, afirmou.
Naquela época, Soltanieh não disse se o Irã estava considerando o envio de algumas das suas reservas de 1.500 quilos de urânio levemente enriquecido para o exterior em troca de combustível.
No mesmo dia, disse à AFP que seu país desejava novos encontros assim que possível.
Na quinta-feira, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pediu que Irã aceite "como está" a proposta da AIEA, referindo-se a um "momento chave".
"Não vamos alterar ou aguardar indefinidamente", disse Hillary.