31/05/2011 - 11h18
Justiça autoriza transferência de Mladic para julgamento em Haia
BELGRADO, Sérvia, 31 Mai 2011 (AFP) -A justiça sérvia rejeitou nesta terça-feira uma apelação do ex-chefe militar dos sérvios na Bósnia, Ratko Mladic, o que acelerará sua transferência a Haia, onde o Tribunal Penal Internacional (TPI) para a antiga Iugoslávia deverá julgá-lo por crimes de guerra e contra a humanidade.
A ministra sérvia da Justiça, Senezana Malovic, deve assinar em poucas horas a ordem definitiva de transferência, informou nesta manhã uma fonte ligada ao ministério.
No entanto, mesmo depois de autorizado, "nada será divulgado sobre a transferência por razões de segurança", explicou Bruno Vekaric, porta-voz da promotoria sérvia para os crimes de guerra.
O recurso de apelação apresentado por Milos Salijic, advogado de Mladic, chegou à Alta Corte de Belgrado na manhã desta terça-feira.
Os três juízes encarregados de examinar o recurso se pronunciaram ao fim de poucas horas de reunião, apesar de disporem de um prazo de três dias para decidir.
"O recurso foi rejeitado e a decisão por escrito será entregue ao Ministério da Justiça ainda hoje", anunciou Dusica Ristic, porta-voz da Alta Corte de Belgrado.
Ao mesmo tempo, milhares de pessoas lotaram as ruas de Banja Luka, capital representativa dos sérvios na Bósnia, num protesto de apoio a Mladic.
"Força, general! A justiça está conosco. Os soldados estão contigo", afirmava um cartaz dos manifestantes.
Pela manhã, antes de ser conhecida a decisão da Corte, Ratko Mladic visitou o túmulo da filha Ana, sepultada em um cemitério de Belgrado.
"Mladic ficou contente por poder visitar o jazigo de sua filha, onde colocou rosas e acendeu uma vela", afirmou Saljic.
Ana Mladic, uma estudante de medicina, cometeu suicídio em 1994 com apenas 23 anos. De acordo com a imprensa, a jovem se matou porque não suportou ver seu pai ser acusado de crimes durante a Guerra da Bósnia, entre os anos de 1992 e 1995.
A visita era um dos desejos manifestados pelo ex-general desde sua prisão na última quinta-feira em Lazarevo, localidade do noroeste da Sérvia, após 16 anos foragido.
Na tarde de segunda-feira, Mladic recebeu a visita de seus netos pela primeira vez desde que foi preso.
O advogado de Mladic insiste que o estado de saúde "alarmante" de seu cliente não permite que ele seja transferido para Haia. Mladic, de 69 anos, responderá em particular pelo genocídio de quase 8.000 pessoas em Srebrenica. O crime, cometido em 1995, foi o mais grave cometido na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
O ex-general é acusado dos mais graves crimes do direito internacional e pode ser condenado à prisão perpétua.