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31/05/2011 - 11h38

Itália afirma que Kadhafi está acabado mas ditador não quer deixar o poder

Benghazi, Líbia, 31 Mai 2011 (AFP) -O chefe da diplomacia italiana, Franco Frattini, afirmou nesta terça-feira que o regime líbio está "acabado" durante uma visita a Benghazi, reduto dos rebeldes no leste do país, mas segundo a presidência sul-africana Muamar Kadhafi "não está disposto" a deixar o poder.

"O regime de Kadhafi está acabado. Deve deixar o poder e deve abandonar o país", declarou Frattini, que viajou a Benghazi para inaugurar um consulado italiano.

"Seus colaboradores o deixaram, não tem mais apoio internacional, os líderes do G8 o rejeitam: deve ir embora", acrescentou em uma entrevista coletiva ao lado do titular das Relações Exteriores do opositor Conselho Nacional de Transição (CNT), Ali al Essawi.

A Itália, antiga potência colonial na Líbia, defende o exílio de Kadhafi. O país, ao lado de França, Qatar, Gâmbia, Senegal, Grã-Bretanha e Jordânia, reconheceu o CNT como interlocutor legítimo na Líbia.

Mas Muamar Kadhafi "não está disposto a deixar o país", afirmou nesta terça-feira a presidência sul-africana após a visita da véspera a Trípoli de seu chefe de Estado, Jacob Zuma.

No encontro com Zuma, Kadhafi "insistiu no fato de que não estava disposto a deixar o país, apesar das dificuldades", informou a presidência sul-africana em um comunicado.

Além disso, a ministra das Relações Exteriores da África do Sul, Maite Nkoana-Mashabane, pediu nesta terça-feira um cessar-fogo imediato na Líbia.

"De acordo com a decisão da União Africana (UA) sobre a Líbia, reiteramos nosso pedido de um cessar-fogo imediato e verificável para estimular as partes em guerra a iniciar um diálogo para uma transição democrática", disse Nkoana-Mashabane no Parlamento na Cidade do Cabo.

Durante o encontro, Kadhdafi e Zuma debateram um "mapa do caminho" que prevê um cessar-fogo, o fim dos bombardeios da Otan e a instauração de um período de transição que resulte em eleições democráticas.

Kadhafi disse que estava "disposto" a aplicar o documento, informou Zuma ao fim da reunião.

Mas os rebeldes líbios recusaram o plano porque não determina que Kadhafi deve abandonar o poder.

O presidente sul-africano viajou a Trípoli para debater com o coronel Kadhafi uma estratégia que permita sua saída do poder após 42 anos.

A iniciativa de Zuma aconteceu no momento em que a Otan intensifica os ataques contra Trípoli.

Segundo as autoridades líbias, 11 pessoas morreram na segunda-feira em bombardeios da Aliança Atlântica em Zliten, 150 km ao sudoeste de Trípoli.

A África do Sul já foi apontada como um possível local de exílio para o ditador líbio.

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