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19/10/2009 - 17h58

Dólar fecha a R$ 1,711 com cautela de investidores

São Paulo - A cautela dos investidores com a possibilidade de o governo brasileiro vir a anunciar alguma medida para conter a queda do dólar fez com que a moeda norte-americana fechasse em alta. A subida do dólar pelo segundo dia consecutivo foi amparada pela informação de que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, concederia entrevista coletiva em que poderia anunciar uma possível mudança na política cambial, como eventualmente a retomada da taxação com Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre a entrada de capital externo no País. Isso provocou compras defensivas de dólar no fim da sessão e a correção final das cotações, disse Felipe Brandão, analista de mercados emergentes da Icap Corretora.

No fechamento, o dólar comercial exibia alta de 0,06%, a R$ 1,7110 no mercado interbancário de câmbio, e subia 0,28%, a R$ 1,7112 na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F). O giro total movimentado até 16h46 somava cerca de US$ 1,885 bilhão, dos quais US$ 1,823 bilhão com liquidação em dois dias, segundo o site da BM&F.

No meio do dia, o recuo momentâneo das cotações da moeda no mercado doméstico até a mínima de R$ 1,705 no balcão refletiu, em parte, o maior apetite dos investidores por risco no exterior, que assegurou firmes ganhos às bolsas internacionais e uma nova depreciação da divisa dos Estados Unidos no segmento de moedas. As bolsas norte-americanas ampliaram os ganhos após a fala do presidente do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano), Ben Bernanke. Segundo ele, os dados recentes sugerem forte recuperação na Ásia, região que deve agir para alavancar a demanda doméstica. Ele também disse que os Estados Unidos devem elevar a taxa nacional de poupança e que é fundamental o desenvolvimento de uma estratégia de saída fiscal para manter a confiança na economia dos EUA e no dólar.

Os investidores também aguardam os balanços trimestrais da Apple e Texas Instruments, que serão anunciados após o fechamento dos pregões de hoje, e ainda nos próximos dias os resultados de cerca de um terço das empresas que fazem parte do índice Dow Jones, entre elas Coca-Cola, McDonald's e Microsoft. Na agenda de indicadores da semana, os dados mais esperados pelo mercado são da economia chinesa, que serão conhecidos na quinta-feira, como o PIB do terceiro trimestre, vendas no varejo e produção industrial.

No Brasil, notícias sobre o fechamento de novas captações privadas de empresas e bancos reforçaram as expectativas de continuidade do fluxo cambial positivo no mercado local e também induziram o recuo das cotações. Também a atuação do Banco Central na compra diária de dólar à vista, que teria em tese a finalidade de conter a baixa da moeda norte-americana, estaria sendo foco de especulação das instituições financeiras e contribuindo ainda para a depreciação do dólar. No leilão desta segunda-feira, realizado das 12h54 às 13h04, o Banco Central comprou moeda com taxa de corte de R$ 1,7103.

O economista Sidnei Nehme, diretor da NGO Corretora de Câmbio, afirma que os bancos passaram a especular em torno dos leilões de compra de moeda, uma vez que o BC vem comprando nos seus leilões volumes acima do fluxo positivo ou mesmo quando este se revela negativo, fomentando a construção de posições "vendidas" pelos bancos. Segundo ele, as instituições financeiras estão vendidas em câmbio em cerca de US$ 5 bilhões, e por isso há interesses em maximizar ganhos e a queda do dólar lhes favorece.

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