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COMUNICAR ERROO dólar subiu pelo terceiro dia útil consecutivo, reagindo à cobrança, a partir de hoje, do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 2% na entrada de capital externo para investimentos em renda fixa e variável no País. A expectativa quanto à medida já vinha amparando a correção da moeda desde sexta-feira, mas o ajuste de alta acentuou-se com a confirmação da nova taxa.
Segundo o operador José Carlos Amado, da Renascença Corretora, alguns investidores estrangeiros venderam ações na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e compraram dólar para remessas ao exterior, sustentando os ganhos da moeda à vista e a forte queda da Bolsa. Segundo ele, o cenário externo de aversão ao risco também pesou, por causa dos indicadores do setor imobiliário nos EUA, piores que as previsões. Isso favoreceu a valorização da moeda norte-americana lá fora e aqui, além das quedas das bolsas internacionais.
Para Amado, se o ambiente externo não melhorar amanhã, o mercado doméstico poderá vir a ter um ajuste mais forte no câmbio, com o dólar aproximando-se de R$ 1,80, além de uma realização mais profunda na Bovespa.
Para o operador de uma instituição estrangeira, o volume de negócios à vista foi mais fraco hoje porque o fluxo cambial se limitou a ingressos de recursos de exportadores, uma vez que os investidores estrangeiros não vieram para cá. Os investidores externos, segundo ele, preferiram fazer arbitragens comprando ADRs de empresas brasileiras em Nova York, para se livrar do pagamento do IOF de 2% na entrada no Brasil. "Neste caso, a empresa ou o banco vendedor de ADR em Nova York é que pagará IOF de 0,38% na internalização dos recursos no País", explicou.
Segundo a mesma fonte, o mercado também operou em compasso de espera, a fim de avaliar o comportamento dos estrangeiros nos próximos dias. Há expectativa de que, por causa da cobrança do IOF, a demanda nas ofertas públicas iniciais (IPOs) que estão para vir no Brasil diminua. "Tudo indica que esses investidores deverão preferir comprar ADRs dessas empresas em Nova York, em vez de aderir aos IPOs. Isso já aconteceu no caso do IPO do Santander", observou.
Outro operador de câmbio de uma corretora atribuiu o salto do dólar hoje, em parte, a especulações. "Muita gente comprou moeda e depois vendeu hoje mesmo, para realizar lucro", afirmou. Para esta fonte, quanto mais o dólar subir, mais oportunidade de ganhos haverá e não será essa taxação que irá, no médio prazo, conter o fluxo de capital estrangeiro para o País, já que os fundamentos da economia brasileira são sólidos, a possibilidade de retorno financeiro é alta e o risco é baixo.
No leilão de hoje, realizado no fim da primeira parte dos negócios, o Banco Central (BC) comprou moeda com taxa de corte de R$ 1,7433. No mercado internacional, a taxação na entrada do capital externo no Brasil repercutiu nos negócios cambiais realizados no mercado chileno.
O peso do Chile fechou em alta frente ao dólar em Santiago, em reação à decisão do Brasil de taxar o capital estrangeiro e também em virtude do vigor do euro e do cobre, segundo analistas. O peso fechou a 543,50 por dólar, comparado com 545,00 pesos no fechamento de segunda-feira, depois de oscilar entre 541,25 pesos e 544,50 pesos.
A alta inicial do euro frente ao dólar nas transações em Nova York e a escalada do cobre para a máxima do ano, em US$ 2,92 por libra peso durante a sessão em Londres, também deram vigor ao peso. A moeda chilena frequentemente oscila em linha com a tendência do cobre, uma vez o país sul-americano é o maior produtor e exportador mundial do metal. Além disso, o peso frequentemente se move na mesma direção do euro frente ao dólar.
No segmento de moedas, o dólar fortaleceu-se, porque os indicadores do setor imobiliário norte-americano geraram preocupações. O número de obras residenciais iniciadas nos EUA aumentou 0,5% em setembro ante agosto, bem menos que a alta de 2,0% prevista. O número de permissões para novas obras diminuiu 1,2%, surpreendendo os analistas, que previam aumento de 2,8%. Outro dado fraco foi a queda de 0,6% do índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) em setembro ante agosto, bem maior que a de 0,2% esperada.

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