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COMUNICAR ERRONo mercado, era quase unânime a avaliação de que os preços dos ativos já haviam esticado muito e que a Bolsa precisava "de um respiro", como disse um operador. Todos os ativos da carteira teórica do Ibovespa fecharam em queda. O giro financeiro, que ontem foi de R$ 10,5 bilhões pelo vencimento de opções sobre ações, foi de R$ 8,92 bilhões.
O decreto com a decisão do governo foi publicado hoje no Diário Oficial da União, mas deixou uma dúvida sobre o início da validade da cobrança. Uma medida jurídica irá esclarecer a questão, segundo a Receita Federal. De acordo com o decreto nº 6.983, que entrou em vigor hoje, a cobrança ocorre na liquidação das "operações de câmbio para ingresso de recursos no País, realizadas por investidor estrangeiro, para aplicação no mercado financeiro e de capitais". Mas conforme as regras da BM&FBovespa, a liquidação para as operações de compra de ações ocorre em D + 3 (o dia da operação mais três). Com isso, todas as ordens dadas entre os dias 15 e 19 de outubro estariam sujeitas à tributação. Mas a Receita esclareceu que os contratos anteriores a hoje não serão tributados.
Para Rodrigo Falcão, operador de mercado da Icap Brasil, o que se espera de mais efetivo com a decisão do governo é uma redução no volume negociado na Bolsa. "A expectativa é de que esse volume diário vá minguar um pouco e parte migre para ADRs", opinou. Ele estimava que o giro diário da bolsa dobrasse em dois ou três anos, "mas agora já tenho minhas dúvidas".
Segundo Falcão, "o investidor vai continuar comprando ações do Brasil" e, se a taxação for um problema, vai fazê-lo através das ADRs fora do País. Ele atribui a queda de hoje mais a uma realização de lucros que a uma reação ruim. "Não vai ser isso que vai fazer uma mudança estrutural em tudo o que o País já conquistou", disse.
Papéis que atraem volume considerável do investidor estrangeiro acabaram por sentir mais o efeito do IOF no pregão de hoje. Esse foi o caso das ações da BM&FBovespa, que tem um terço de seu volume, em média, negociado por investidores externos. Depois de cair mais de 13%, as ações da companhia fecharam o dia a R$ 12,41 (queda de 8,41%).
Petrobras e Vale também participaram das vendas maciças de papel. No caso da Petrobras, o movimento contou com a queda nas cotações futuras de petróleo para impulsionar o recuo. O petróleo WTI para novembro, cujos contratos vencem hoje, tiveram recuo de 0,65%, negociados a US$ 79,09. Enquanto isso, as ações ordinárias da companhia recuaram 1,77%, para R$ 43,20, ao passo que o papel sem direito a voto caiu 2,30%, para R$ 36,50. A Petrobras também confirmou, ontem à noite, a emissão de títulos no mercado internacional.
Já a Vale também sentiu hoje os efeitos das declarações do ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, de que o governo estuda elevar a taxação do setor de mineração, inclusive das exportações. Os papéis com direito a voto da companhia fecharam em queda de 1,80%, a R$ 45,77, enquanto as ações preferenciais cederam 2,17%, para R$ 40,50.
Nos EUA, o número de obras residenciais iniciadas aumentou 0,5% em setembro ante agosto, bem menos que a alta de 2,0% prevista. Já as permissões para novas obras diminuíram 1,2%, surpreendendo os analistas, que previam aumento de 2,8%. Outro dado fraco foi a queda de 0,6% do índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) em setembro ante agosto. Com isso, as bolsas em Nova York fecharam o pregão em queda. Dow Jones perdeu 0,50%, para 10.041 pontos, enquanto o S&P 500 recuou 0,62%, aos 1.091 pontos, e a bolsa eletrônica Nasdaq teve retração de 0,59%, aos 2.163 pontos.

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