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21/10/2009 - 18h52

Investidor assimila taxação e Bovespa sobe 0,28%

São Paulo - O investidor retomou o apetite pelos ativos da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) mais rapidamente que o esperado. Depois de apenas um dia de recuo diante do início da taxação de 2% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre o capital estrangeiro, a Bolsa recuperou parte dos ganhos e chegou a romper os 67 mil pontos durante o dia. Ao fim do pregão, o índice Bovespa (Ibovespa) registrou alta de 0,28%, aos 65.485,59 pontos.

Os dados desanimadores do Livro Bege do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), perto do fim do pregão, entretanto, reduziram a alta. No mês de outubro, a valorização da Bolsa é de 6,45%, enquanto no ano ela acumula ganhos de 74,40%. O giro financeiro, que ontem foi de R$ 8,93 bilhões, hoje caiu para R$ 8,08 bilhões.

Para um operador, a recuperação vista hoje é até um pouco exagerada, "mas não dá para deter o capital". Segundo ele, o investidor parece ter feito as contas e chegado à conclusão de que, mesmo com a taxação, ainda vale a pena investir nos papéis do País.

Ontem, a opinião quase unânime era de que as ADRs de empresas brasileiras fossem as mais beneficiadas pela decisão do governo. Sidnei Nehme, diretor executivo da corretora NGO, entretanto, pondera que "migrar para o mercado acionário de Wall Street focando as ADRs das principais ações brasileiras é uma alternativa que já estava presente e pode ganhar novo estímulo, mas os investidores não conseguirão acesso aos papéis ainda não apregoados no exterior."

Para Frederico Mesnik, sócio da Humaitá Investimentos, "ninguém esperava uma retomada tão rápida, mas isso não afasta a incerteza regulatória que o ministério da Fazenda gerou no País". Por isso, ainda que os fundamentos sejam bons, ele espera uma retomada no ritmo de alta da Bolsa "com um pouco mais de areia na engrenagem".

Hoje, ele acredita que a alta da bolsa esteja bastante ligada à expectativa do Produto Interno Bruto (PIB) da China, que será divulgado na madrugada de quinta-feira. Como o mercado espera que o número do crescimento do país asiático mostre alta vigorosa, os papéis ligados a commodities sobem com entusiasmo pela expectativa de demanda chinesa.

Além disso, relatórios favoráveis à CSN contribuíram para elevar todo o segmento de siderurgia. Um relatório do banco Goldman Sachs alterou hoje a recomendação para a CSN de neutro para compra. Em relatório, o analista Marcelo Aguiar avalia que a companhia se destaca entre as usinas brasileiras por conta da integração à cadeia de minério de ferro, que poderia beneficiar a empresa na retomada da atividade global de fusões e aquisições no setor. No mesmo relatório, o analista rebaixou Usiminas de compra para neutro e manteve a indicação de venda para Gerdau. Já o Barclays elevou o preço-alvo para os papéis da CSN para R$ 70,00 (US$ 41 por ADR).

CSN ON subiu 3,59%, para R$ 63,50, enquanto Gerdau PN fechou o dia em R$ 29,35, com elevação de 0,58%, e Usiminas PNA subiu 0,12%, para R$ 52,21. Na esteira da alta do petróleo, Petrobras também teve um dia de valorização. Os preços dos contratos futuros do petróleo passaram a operar em alta na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex, na sigla em inglês) e superaram a barreira dos US$ 80 por barril pela primeira vez desde o agravamento da crise global. O Departamento de Energia dos EUA (DOE) divulgou que, na semana passada, os estoques de gasolina do país caíram mais que o previsto.

Em Nova York, as bolsas viraram para o campo negativo após os dados do Livro Bege mostrarem que o consumo americano ainda não dá mostras de reação. Dow Jones perdeu fechou em queda de 0,92%, enquanto S&P recuou 0,89% e Nasdaq perdeu 0,59%.

As bolsas europeias fecharam em alta ao final de uma sessão volátil. Os índices recuperaram as perdas iniciais após a divulgação dos bons resultados do banco norte-americano Morgan Stanley, mas o mercado recebeu com frieza as atualizações aos investidores divulgados por Peugeot, Deutsche Bank e PPR Group. O principal índice da Bolsa de Frankfurt, o DAX, subiu 0,37%. O índice CAC-40, da Bolsa de Paris, subiu 0,05%, enquanto o índice FTSE 100, da Bolsa de Londres, avançou 0,28%. O principal índice da Bolsa de Madri, o IBEX35, avançou 0,72%.

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