MONTEVIDÉU, 3 NOV (ANSA) - O candidato governista à presidência do Uruguai, José Mujica, da coalizão Frente Ampla, afirmou hoje que o segundo turno do pleito, que será disputado entre ele e Luis Lacalle, do Partido Nacional, em novembro, terá a confrontação de "dois modelos" de governo, e não apenas de "dois estilos".
Desta forma, o senador e ex-guerrilheiro, de 74 anos, contrariou afirmações do atual mandatário, Tabaré Vázquez, para quem nesta nova votação os eleitores escolherão uma entre "duas formas de encarar um governo".
"Não aceitamos isso que se comenta de diferenças de estilo, quando há uma brutal diferença de conteúdos. Sempre houve e, naturalmente, é isto o que está em jogo", afirmou o candidato da Frente Ampla em seu programa de rádio Hablando al Sur.
As declarações de Vázquez sobre as características que separariam Lacalle e Mujica foram publicadas pela revista uruguaia Búsqueda. Para Mujica, no entanto, há uma grande diferença entre suas propostas e as de seu concorrente.
Em sua visão, entre 1985 e 2000 vigorou o "modelo neoliberal" que continua sendo defendido por partidos tradicionais, que hoje fazem oposição ao governo. O próprio Lacalle esteve no poder entre 1990 e 1995 e manteve, segundo Mujica, este padrão.
"Então o que está em jogo não é uma questão de estilo, mas de modelo e rumo. Isto é decisivo e é a grande diferença hoje", reiterou o governista.
O presidente Vázquez disse ainda que não pretende se reunir com nenhum dos dois candidatos que tentam sucedê-lo, porque não é "o presidente da Frente Ampla", da qual é membro, mas "de todos os uruguaios".
O segundo turno entre Mujica e Lacalle ocorrerá em 29 de novembro. Já na disputa paralela pelo Legislativo, a Frente Ampla conquistou a maioria, com 16 dos 30 senadores e 50 dos 99 deputados.