CARACAS, 3 NOV (ANSA) - O vice-presidente venezuelano, Ramón Carrizález, anunciou a detenção do jovem Johan Manuel Mora Rodríguez, de 20 anos, suspeito de ter participado dos assassinatos de dois oficiais ocorridos ontem na localidade de Ureña, noroeste do país, perto da fronteira com a Colômbia.
O suposto criminoso será apresentado pelo Ministério Público à Justiça do estado de Táchira, onde o delito foi cometido.
Os sargentos Gerardo Zambrano e Buyssi Semidy Segnini López, ambos membros da Guarda Nacional venezuelana, foram mortos a tiros na tarde dessa segunda-feira por quatro desconhecidos que viajavam em duas motos.
Os assassinatos ocorreram em um posto de controle nas proximidades do aeroporto de San Antonio e da localidade de Ureña. Segundo Carrizález, além de Mora Rodríguez, as autoridades já identificaram os outros três suspeitos, que estão sendo procurados.
Caracas acredita que as mortes representam uma represália de supostos grupos paramilitares da Colômbia que agem na região e vêm sendo coibidos por forças venezuelanas. Esta hipótese foi reforçada hoje pelo vice-presidente.
O crime, disse ele, "teve como finalidade amedrontar nossa Guarda Nacional, que todos os dias cumpre sua função combatendo o crime, controlando a fronteira e o narcotráfico".
Em entrevista coletiva concedida ao lado do ministro do Interior, Tareck El Aissami, Carrizález responsabilizou o governo de Táchira, nas mãos do opositor César Pérez Vivas, pelo aumento da violência na região.
"O fenômeno paramilitar que se gerou na Colômbia penetrou nossa fronteira e se intensificou no último ano em Táchira, com o olhar complacente do governador do Estado", disse.
"Isto é parte de planos de desestabilização provenientes da oposição venezuelana que sempre denunciamos, e que consiste em manter paramilitares dentro do território nacional como uma força de vanguarda para gerar desassossego no país", complementou.
De acordo com ele, os grupos armados contariam ainda com a cumplicidade do governo da Colômbia. "Temos provas suficientes de reuniões na Colômbia para tentar desestabilizar" a administração do presidente Hugo Chávez, disse.
Mora Rodríguez foi detido pouco depois do crime em uma moto. Com ele, foram apreendidas duas armas com o número de série raspado.
Bases
Carrizález também atribuiu o episódio ao acordo assinado na sexta-feira pela Colômbia para ceder sete bases militares situadas em seu território a tropas norte-americanas.
Em sua opinião, os supostos paramilitares de Táchira são "a linha de frente" de um plano dos Estados Unidos para invadir a Venezuela e o restante da América do Sul.
"A instalação das bases ianques em território colombiano visa ameaçar, em primeiro lugar, o processo revolucionário venezuelano", argumentou.
"Agora, com este convênio, podemos dizer que a Colômbia se transformou em uma grande base militar ianque, onde os Estados Unidos podem atuar livremente, de maneira arbitrária, sem permissão e com total impunidade", ressaltou.
Devido ao crime, a fronteira com a Colômbia foi fechada naquela região, mas Carrizález negou que a decisão tenha partido de Caracas. "A fronteira está fechada pela Colômbia", explicou.