CARACAS, 4 NOV (ANSA) - O Ministério Público da Venezuela deve apresentar nas próximas horas a denúncia contra Johan Manuel Mora Rodríguez, acusado de envolvimento na morte dos dois membros da Guarda Nacional Bolivariana (GNB), que foram vítimas de uma emboscada na região fronteiriça com a Colômbia.
Segundo informou ontem o vice-presidente venezuelano, Ramón Carrizales, junto a Rodríguez -- que foi preso na segunda-feira na localidade de Ureña -- também foram apreendidas armas, entre as quais uma que está "diretamente envolvida no homicídio".
De acordo com publicação de hoje do jornal El Universal, o Ministério Público apresentará nas próximas horas a denúncia contra o jovem.
Na ação, cometida na última segunda-feira, morreram os militares Gerardo Zambrano e Buyssi Semidy Segnini López. No mesmo dia, o posto de controle do estado venezuelano de Táchira, próximo ao colombiano Norte de Santander foi fechado.
O caso intensificou a crise entre Venezuela e Colômbia. Na última semana, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, denunciou que colombianos assassinados em seu território pertenciam a uma organização paramilitar. Eles foram sequestrados e assassinados na mesma região.
Os dois países, que compartilham mais de 2.000 quilômetros de fronteira, têm tido problemas desde julho passado, quando Chávez anunciou o congelamento das relações diplomáticas e comerciais.
A tensão foi desencadeada após denúncias do governo de Álvaro Uribe de que a nação vizinha fornecia armamentos à guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Na mesma época, o mandatário venezuelano expressou seu repúdio ao acordo militar firmado entre Bogotá e Washington.
Ontem, no entanto, Chávez negou que tenha ordenado o bloqueio da fronteira, embora tenha afirmado que a medida está sendo analisada. "Os que fecham a fronteira são os grupos violentos da Colômbia com o aval e sinal verde do governo [de Álvaro Uribe, ndr.], do Norte de Santander [território colombiano, ndr.], agredindo a Guarda Nacional, queimando pneus, bloqueando pontes, sabotando o comércio e ameaçando as escolas", disse à Agência Bolivariana de Notícias.
Ele ainda ameaçou que, se tais atos continuarem, a guarda de seu país decretaria emergência na fronteira, o que qualificou de "lamentável".