MILÃO, 5 NOV (ANSA) - O italiano Alberto Torregiani, vítima de um dos ataques do grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), pediu que o ex-ativista Cesare Battisti, apresente as provas que alega ter de sua própria inocência.
"Continua a dizer que é inocente e que tem as provas: mostre-as, até porque tem os melhores advogados do mundo e amigos bilionários. Não tem dificuldades de pagar as despesas processuais", exigiu Torregiani.
Na Itália, Battisti foi condenado à prisão perpétua pela morte de quatro pessoas no período em que militou no grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), na década de 1970. O ex-ativista está detido no Brasil desde de 2007 e recebeu o status de refugiado político no início do ano. Agora, aguarda que o Supremo Tribunal Federal (STF) decida sobre sua permanência no país.
Filho de Pierluigi Torregiani, Alberto foi atingido por um disparo no ataque à joalheria de sua família em Milão, em 1979. Ele teve parte do corpo paralisado. Na mesma ação, atribuída ao PAC, seu pai faleceu.
"Respeito muito mais quem puxou o gatilho [no ataque] e ficou em silêncio durante toda a pena. Ele [Battisti], ao invés disso, não fez outra coisa além de escapar", disse o italiano.
Torregiani também refutou a hipótese de que sua oposição a Battisti se deva ao fato de temer perder a pensão vitalícia que recebe do governo italiano pelas sequelas sofridas devido à operação do PAC.
"É totalmente falso. A pensão vitalícia é irrevogável, não há nenhum risco de interrupção", assegurou ele, ressaltando novamente que Battisti "há quatro anos diz que tem as provas da sua inocência, mas não as apresenta".
Torregiani confirmou também que já manteve contato com o ex-militante, autor de diversos livros, e que inclusive lhe pediu ajuda. "É verdade, nos falamos por correspondência e é verdade que também lhe pedi uma ajuda para escrever o meu livro, já que ele escreveu muitos romances", revelou.
A vítima da ação do PAC expressou novamente seu desejo de depor no julgamento do STF. "Falo só por mim, porque as outras vítimas não querem nem mesmo ver Battisti. Eu quero falar aos grandes juízes e expor as minhas razões, para pedir Justiça", ressaltou.
O julgamento de Battisti na instância máxima da Justiça brasileira teve início no dia 9 de setembro, em uma primeira audiência que foi interrompida após sete ministros do Supremo terem votado, quatro a favor e três contra a extradição do ex-militante do PAC.
A audiência foi suspensa após o ministro Marco Aurélio Mello ter pedido vista do processo. A segunda sessão do STF sobre o caso está marcada para o dia 12 deste mês.