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05/11/2009 - 16h41

Ministra italiana diz ficar 'nauseada com delírios' de Cesare Battisti

ANSA
ROMA, 5 NOV (ANSA) - A ministra da Juventude da Itália, Giorgia Meloni, criticou hoje o que chamou de "delírios" do ex-ativista italiano Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua em seu país e beneficiado, em janeiro, pela concessão do refúgio político no Brasil.

"Estou nauseada pelos contínuos delírios de Battisti, um assassino já condenado que, de seu dourado exílio, tenta reconstruir uma virgindade moral em prejuízo da Itália e das vítimas dos anos de chumbo", disse Meloni, referindo-se às alegações de inocência do ex-militante.

Na Itália, Battisti foi condenado por quatro homicídios atribuídos a ele ocorridos no fim dos anos 70, quando era membro da organização de esquerda Proletários Armados pelo Comunismo (PAC).

"A coisa mais vergonhosa é que em sua vil campanha difamatória, [ele] não poupa injuriosos ataques nem mesmo às vítimas e seus familiares. Não satisfeito em ter matado, Battisti continua a ser cruel", declarou a ministra.

Após fugir de uma prisão italiana em 1981, o ex-ativista viveu mais de duas décadas exilado na França e no México e chegou ao Brasil em 2004. Três anos mais tarde, foi preso no Rio de Janeiro, e atualmente está detido na Penitenciária da Papuda, em Brasília.

Em setembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) começou a julgar o pedido de sua extradição, feito pelo governo italiano. A audiência foi suspensa, porém, depois que o ministro Marco Aurélio Mello fez um pedido de vista do processo.

Até aquele momento, os ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa e Cármen Lúcia haviam solicitado o arquivamento do pedido de extradição.

No entanto, outros quatro membros da corte se declararam favoráveis à devolução de Battisti para a Justiça italiana. Foram eles o relator do processo, Cezar Peluso, e os ministros Ricardo Lewandowski, Ayres Britto e Ellen Gracie.

Com a retomada da sessão, marcada para a próxima quinta-feira (12), deverão votar o presidente do STF, Gilmar Mendes, e o recém-empossado José Antonio Toffoli, que antes precisará declarar se se sente ou não impedido de analisar o caso.

Battisti recebeu em janeiro o status de refugiado político no Brasil, em uma decisão tomada pelo ministro da Justiça, Tarso Genro.

Para Meloni, é incorreta a ideia de que o governo italiano queira usá-lo como uma espécie de "símbolo" do combate a grupos considerados subversivos. "O governo não busca um troféu, mas só um pouco de justiça para os muitos que sofreram e para que nenhuma justificativa ideológica possa alimentar no futuro novos focos de violência terrorista", argumentou.

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