ROMA, 5 NOV (ANSA) - A política italiana Roberta Angelilli, vice-presidente do Parlamento Europeu, insinuou hoje que o ex-militante Cesare Battisti sofre de "mitomania", um distúrbio de personalidade que induz o paciente a mentir de maneira compulsiva.
Angelilli classificou Battisti como "um criminoso que, em vez de acertar as contas com a própria consciência e as próprias responsabilidades, lança acusações difamatórias e sem qualquer fundamento ao governo italiano".
Condenado na Itália à prisão perpétua por quatro assassinatos atribuídos a ele, Battisti recebeu em janeiro refúgio político no Brasil, concedido pelo ministro da Justiça, Tarso Genro. Atualmente, o ex-militante está preso na Penitenciária da Papuda, em Brasília.
Os crimes ocorreram no fim da década de 1970, quando ele integrava a organização de esquerda Proletários Armados pelo Comunismo (PAC).
A deputada europeia também criticou o fato de Battisti, que se declara inocente, não demonstrar "nenhum tipo de arrependimento ou respeito por suas vítimas e pela dor das famílias" dos mortos.
Na próxima quinta-feira (12), o Supremo Tribunal Federal (STF) retomará em Brasília o julgamento do pedido de extradição do ex-ativista, feito pela Itália.
A audiência foi suspensa em setembro, quando o placar estava 4 a 3 em favor de sua devolução à Justiça do país europeu.
"Lembro que no mês de fevereiro o Parlamento Europeu de Estrasburgo aprovou um documento destinado ao governo brasileiro para pedir a extradição de Cesare Battisti", afirmou Angelilli.