BRASÍLIA, 5 NOV (ANSA) - O ex-ativista Cesare Battisti afirmou que o presidente francês, Nicolas Sarkozy, agiu "generosamente" ao rejeitar o pedido de extradição, feito pela Itália, no caso de Marina Petrella, ex-militante das Brigadas Vermelhas.
"Ele é um chefe de Estado, e mostrou a generosidade de um grande chefe de Estado", disse Battisti, em entrevista exclusiva à ANSA, concedida na Penitenciária da Papuda, em Brasília, onde está detido.
No ano passado, o presidente francês anulou um pedido de extradição feito pela Itália para Petrella, condenada em 1992 à prisão perpétua pelo assassinato de um policial, além de roubo à mão armada, sequestro e tentativa de sequestro.
A ex-membro das Brigadas Vermelhas, hoje com 55 anos, vivia na França há duas décadas quando foi capturada, em agosto de 2007, a pedido de seu país. Posteriormente, a própria Justiça francesa ordenou sua extradição, mas Sarkozy reverteu a medida alegando motivos humanitários.
Segundo pessoas próximas, após cair em uma profunda depressão, Petrella emagreceu excessivamente e chegou a pesar cerca de 40 quilos.
A ex-brigadista, a exemplo de Battisti, foi beneficiada na França pela chamada "Doutrina Mitterrand", criada pelo ex-presidente François Mitterrand (1981-1995) para acolher ex-militantes italianos que prometessem abandonar a luta armada.
Após fugir de uma prisão italiana, em 1981, o ex-ativista se exilou na França e no México. Em 2004, chegou ao Brasil, e três anos mais tarde foi preso no Rio de Janeiro.
Em seu país, Battisti foi condenado à prisão perpétua por quatro homicídios. Os crimes atribuídos a ele ocorreram no fim dos anos 70, época em que integrava a organização de esquerda Proletários Armados pelo Comunismo (PAC).
No dia 13 de janeiro, o ministro da Justiça, Tarso Genro, concedeu ao ex-ativista o status de refugiado político, o que desatou uma crise diplomática com a Itália, que requer sua extradição.
O caso foi então encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), que deu início ao julgamento em setembro e deverá retomá-lo na próxima quinta-feira (12).
A suspensão ocorreu depois que o ministro Marco Aurélio Mello fez um pedido de vista do processo. Até aquele momento, o placar era 4 a 3 em favor da extradição.
Carla Bruni
No início do ano, especulou-se que a concessão do refúgio teria sido decidida depois que a primeira-dama francesa, a italiana Carla Bruni, fez discretas gestões em apoio a Battisti em dezembro, quando esteve no Brasil acompanhada de Sarkozy.
Em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) chegou a dizer que o casal conversou em particular com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pediu sua intervenção no caso.
Segundo o senador, Bruni teria agido motivada por sua proximidade com a escritora Fred Vargas, que é amiga pessoal de Battisti.
Indagado pela ANSA sobre que papel poderia ter desempenhado a esposa de Nicolas Sakozy, o ex-ativista foi evasivo: "não posso dizer, pois não conheço Carla Bruni".