MONTEVIDÉU, 6 NOV (ANSA) - O jornal uruguaio El País admitiu hoje, em um editorial, que está em "campanha" contra a coalizão governista Frente Ampla, mas ressaltou que "não participa de nenhuma conspiração" para impedir que seu candidato, José Mujica, alcance a vitória no segundo turno das eleições presidenciais, marcadas para 29 de novembro.
Na coluna, intitulada "A José Mujica", o maior jornal do Uruguai confirma que tem "uma péssima opinião" sobre o candidato governista.
"Sim, é certo que o El País está em uma campanha para que o senhor [José Mujica] não alcance a Presidência da República, mas não é preciso ser muito astuto para chegar a esta conclusão", diz o editorial.
O candidato da Frente Ampla, senador e ex-guerrilheiro tupamaro, obteve 48% dos votos no primeiro turno dos comícios presidenciais, realizado em 25 de outubro. No dia 29, ele terá uma nova disputa com o opositor Luis Lacalle, do Partido Nacional, escolhido originalmente por 29% da população.
Recentemente, o ex-presidente Jorge Batlle (2000-2005) associou a descoberta de um arsenal em Montevidéu a ex-dirigentes da guerrilha tupamaros, da qual Mujica era integrante.
Em resposta, o candidato governista desqualificou as acusações e citou a revista Búsqueda e os jornais El País e El Observador ao dizer que se deve "desconfiar até da verdade quando vem de certas origens".
No editorial de hoje, o El País afirmou que, apesar de ser contrário à eleição de Mujica, cobriu todos os atos do candidato "sem faltar jamais com a verdade".
"Deixe de se fazer de vítima", exorta o texto, escrito na forma de uma carta endereçada ao esquerdista. "A oposição e a crítica não têm nada a ver com o fato de o senhor ser um 'homem humilde'. Pode ser que essa versão comova alguém, mas o senhor e nós sabemos que essa imagem é completamente alheia à posição do El País", prossegue o editorial.
"Preocupam-nos suas convicções democráticas, sua confusão de ideias, as inseguranças que transmite, seu afã por dividir os uruguaios, seus amigos ideológicos na região e seus permanentes desvarios sobre o futuro do país. Por isso o combatemos, mas não conspiramos", acrescenta o jornal.