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06/11/2009 - 15h34

Fernando Lugo destitui chefe das Forças Armadas do Paraguai

ANSA
ASSUNÇÃO, 6 NOV (ANSA) - O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, destituiu hoje o comandante máximo das Forças Armadas, o contra-almirante Cíbar Benítez, dois dias após ter afastado os chefes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.

Benítez será substituído pelo general Juan Oscar Velázquez, ex-chefe do Exército, considerado entre os militares e políticos um homem da máxima confiança do presidente.

Os afastamentos acontecem em meio a rumores veiculados na imprensa local de que setores das Forças Armadas estariam planejando um golpe de Estado contra Lugo. Assim que a decisão foi anunciada, políticos e a imprensa a relacionaram com as especulações dos últimos dias.

A Presidência da República justificou as destituições destacando que "são atribuição única e exclusiva do presidente em seu caráter de comandante-em-chefe das Forças Armadas".

O governo também informou que a decisão do presidente paraguaio "não tem porque ser objeto de especulações", sobretudo porque "não menospreza o bom nome dos destituídos", mas "ressalta sua honorabilidade".

A justificativa oficial sobre os afastamentos busca dissociá-los das polêmicas sobre o suposto golpe que estaria sendo planejado. O governo exaltou o exemplo que as Forças Armadas dão de respeito às instituições e às normas democráticas.

Apesar disso, alguns dos militares destituídos não esconderam seu mal-estar, como é o caso do ex-chefe da Força Aérea, general Darío Dávalos, que afirmou se sentir "um pouco incomodado", já que ninguém lhe explicou os motivos de sua retirada do cargo.

Para Eduardo González Petit, ex-comandante das forças militares que teve atuação decisiva na operação que derrubou o ex-ditador Alfredo Stroessner, em 1989, as mudanças realizadas por Lugo foram "desconcertantes".

"Os quatro comandantes eram excelentes e ainda assim o presidente os destituiu", criticou Petit em entrevista à rádio Primero de Marzo, afirmando que tal atitude causa "insegurança" entre os militares.

Já o senador Enrique González, do partido União Nacional de Cidadãos Éticos (Unace), opinou hoje que Lugo está substituindo os militares que não se enquadram em seu projeto "bolivariano" de governo.

"É um comentário dos próprios militares. Chama atenção a forma com que [os oficiais] passam para a reserva com enorme facilidade", questionou o parlamentar.

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