HAVANA, 6 NOV (ANSA) - O ex-presidente de Cuba Fidel Castro declarou hoje, em seu novo artigo, que o acordo militar firmado entre Colômbia e Estados Unidos "equivale à anexação" do país sul-americano por parte "do império".
Para Fidel, afastado da vida pública há três anos devido a problemas de saúde, "os políticos da América Latina" têm que enfrentar "agora um delicado problema: o dever elementar de explicar seus pontos de vista sobre o documento de anexação".
"Compreendo que, neste instante decisivo" a situação de "Honduras ocupe a atenção dos meios de comunicação e dos ministros das Relações Exteriores, mas é gravíssimo e transcendente o problema na Colômbia, que não pode passar despercebido pelos governos latino-americanos".
O líder cubano também comentou os motivos alegados pelos dois países para a assinatura do acordo. "É realmente cínico proclamar que o infame acordo é uma necessidade da luta contra o tráfico de drogas e o terrorismo internacional".
Outro questionamento explicitado por Fidel é porque os Estados Unidos "investirão tanto tempo e dinheiro na Colômbia", enquanto "o mundo enfrenta graves e urgentes problemas", como o aquecimento global, que será discutido em dezembro em Copenhague, na Conferência da ONU sobre Mudança Climática.
Para o ex-presidente, a intenção real do "império" é lançar os soldados colombianos "contra seus irmãos venezuelanos, equatorianos e outros povos bolivarianos".
Dessa maneira, os Estados Unidos pretenderiam "reprimir a Revolução Venezuelana, como trataram de fazer com a Revolução Cubana em abril de 1961".
Na opinião de Fidel, os povos "sentirão o punhal que é pregado no mais profundo de seus sentimentos, em especial a população colombiana", que é "trabalhadora e lutadora".