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06/11/2009 - 19h32

Para especialista, narcotráfico é um problema de toda a América Latina

ANSA
BUENOS AIRES, 6 NOV (ANSA) - Apesar do combate ao narcotráfico ser constantemente associado a um desafio colombiano, esse problema tem raízes profundas em toda a América Latina, é o que afirma o especialista Ricardo Vargas, diretor da ONG Ação Andina Colômbia.

Em entrevista à ANSA, Vargas explicou que o fenômeno de expansão do narcotráfico pode ser interpretado como a "globalização do ilegal".

"Uma das características" do narcotráfico "é que se desenvolveu no contexto da globalização do ilegal", declarou o sociólogo.

Para ele, "o pior erro que se pode cometer é continuar associando" a busca por uma solução do problema como uma exclusividade da Colômbia.

No Uruguai, por exemplo, a polícia antidrogas apreendeu no último mês mais de duas toneladas de cocaína, considerado o golpe mais forte contra o narcotráfico no país. Ainda assim, a nação governada por Tabaré Vázquez tem assistido o aumento das operações ilegais vinculadas com o tráfico internacional de drogas e de armas.

Já na Venezuela, embora as autoridades tenham reivindicado êxito no combate às drogas, o último informe dos Estados Unidos sobre o tema aponta que o país voltou a figurar na lista de nações que "fracassaram ostensivamente" nesse quesito.

No Peru também se sentiu o aumento das ações ilícitas relacionadas à produção e comercialização de drogas. Segundo fontes do órgão peruano de luta contra o consumo e tráfico de drogas, 90% do que é produzido no país é comercializado nos Estados Unidos e em diversos países da Europa.

Depois da Colômbia, com 81.000 hectares, o Peru é o país que mais produz coca na América Latina, com 56.100. Na terceira posição aparece a Bolívia, com 30.500 hectares de plantações de folha de coca e considerado pelos Estados Unidos um dos 20 países que são "grandes produtores ou plataformas para o tráfico de drogas".

O México é outra nação que tem sofrido com o avanço do narcotráfico, "mercado" que emprega ao menos um milhão de pessoas, segundo informa o presidente da Central de Organizações Camponesas e Populares, José Fernat.

"Na realidade, ninguém quer se dedicar ao narcotráfico", mas essa situação é consequência da "pobreza que os cerca", opina Fernat.

Em dezembro de 2006, o presidente do México, Felipe Calderón, lançou uma operação contra o narcotráfico, na qual 40 mil soldados colaboram com a Polícia. No entanto, em resposta, os cartéis de drogas praticaram uma série de atos violentos. Com isso, o número de assassinatos no período chegou a 14 mil, segundo dados da imprensa local.

Outra consequência da expansão do narcotráfico na região é a transferência das atividades exercidas pelos cartéis mexicanos para diferentes países, como a Argentina, que passou a receber laboratórios clandestinos de drogas sintéticas através do tráfico de efedrina, e mesmo no Brasil, onde o problema voltou a ocupar as manchetes dos jornais, com uma "guerra urbana" das favelas do Rio de Janeiro.

"Me parece que este é um dos piores cenários possíveis", continua Vargas sobre o tema, afirmando também que "a economia das drogas na Colômbia está absolutamente consolidada", cujo poder "é maior do que nunca".

Questionado sobre qual seria a solução, ele diz acreditar que uma das opções seria o tratamento mais amplo do fenômeno, que leve à "discriminação de algumas drogas". "Não se trata de passar da proibição à legalização, mas sim de dar um caminho que permita uma melhor manipulação do problema, de maneira direta".

É preciso "uma manipulação distinta ao problema do consumo com uma aproximação aos dependentes químicos e não com um aumento dos esquemas de restrição", explica o especialista.

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