Ser parecido com o homem não é lá grande vantagem para o chimpanzé. O chimpanzé acaba ocupando o lugar do homem em testes, pesquisas e atividades perigosas.
Segundo dados do Peta (People for de Ethical Treatment of Animals, Grupo pelo Tratamento Ético aos Animais) publicados em 2003, existem cerca de 2 mil chimpanzés em cativeiro nos Estados Unidos, sendo cerca de 300 em zoológicos e 1.700 em centros de pesquisa. A maior parte destes chimpanzés foi capturada na selva antes de 1973, ano em que os EStados Unidos assinaram acordo que proíbe a captura e a importação de chimpanzés selvagens.
Entre as décadas de 50 e 60 do século passado, muitos chimpanzés foram usados no projeto norte-americano de conquista do espaço. Estes chimpanzés ficaram conhecidos como chimponautas.
A vida dos chimponautas não foi nada fácil. Eles eram capturados -ainda bebês- na África, onde viviam em seu habitat natural, para participar do programa de vôos tripulados.
O caminho da África até as bases norte-americanas era um pesadelo. Calcula-se que apenas um entre dez bebês chimpanzés capturados tenha chegado vivo aos EUA.
A captura e morte das mães, os maus tratos com as crias e o incentivo ao mercado negro de animais sem nenhuma preocupação ecológica são consequências apontadas do uso dos chimpanzés no programa espacial no livro "Next of Kin", do cientista americano Roger Fouts, um dos grandes especialistas em chimpanzés.
A idéia da Nasa era enviar os chimponautas como "passageiros" nas naves e, na volta, analisar as alterações das funções fisiológicas e comportamentais com as mudanças na gravidade, no calor e nas radiações. Tudo para avaliar, por aproximação, se era possível enviar o homem ao espaço.
Para analisar algumas mudanças de comportamento, a agência espacial americana planejou para os chimpanzés tarefas durante o vôo. Para estas manobras, os chimpanzés eram treinados e condicionados durante muitos meses.
As cápsulas que foram usadas por chimponautas tinham sistema programado. Pastilhas de banana eram usadas como recompensa e choques elétricos eram aplicados como punições se os chimpanzés fizessem alguma coisa fora do script.
O primeiro chimponauta se chamava Ham. Ele fez um vôo a bordo de da cápsula espacial Mercury, em 31 de janeiro de 1961. A Mercury atingiu a velocidade de 8 mil kilômetros por hora! Só para ter uma idéia, um avião de carreira comercial faz 800 km por hora.
Depois do vôo, Ham foi capa da Life, uma das revistas mais famosas daquela época nos Estados Unidos, e apareceu em muitos programas e noticiários de TV. Depois, foi mandado para o Zôológico de Washington e ficou em isolamento por 18 anos. Morreu com 26 anos em um Zôo da Carolina do Norte.
O segundo chimpanzé a tripular um vôo da Nasa foi Enos. Ele entrou em órbita com a nave Atlas. Fez dois giros em volta da Terra. No segundo giro, a cápsula esquentou e a nave saiu fora da rota. Mesmo assim Enos realizou as tarefas esperadas, adaptando-se à situação que era totalmente inusitada. Morreu um ano após a missão.
A Nasa parou de usar os chimponautas em 1965, mas continuou mantendo descendentes e parentes próximos de Ham e Enos em seu poder. Ambientalistas se mobilizam desde esta época para levar estes chimpanzés a santuários. Conseguiram até o apoio de ex-astronautas que, solidários com seus "colegas" chimpanzés, pediram à Nasa que libertasse os chimponautas!
Mas a Nasa enviou muitos dos seus chimpanzés para centros de pesquisas médicas. Em setembro de 2002, o dono de um dos laboratórios que recebeu chimpanzés saídos do programa espacial, Frederick Coulston, liberou 288 chimpanzés e mais 90 macacos para um Centro para Proteção dos Chimpanzés Cativos, que funciona na Flórida, nos EUA. (MARA GAMA)