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Genoma do chimpanzé revela o que nos faz humanos

Por Richard Ingham PARIS, 31 ago (AFP) - Ao decifrarem o código genético dos chimpanzés, cientistas comprovaram que o homem se distingue biologicamente do macaco por um pequeno conjunto de importantes diferenças do DNA, informou nesta quarta-feira um estudo publicado pelo jornal científico semanal britânico Nature.

O primeiro seqüenciamento genético de um primata revela que o chimpanzé possui cerca de três bilhões de pares de genes. A série genética dos trogloditas é basicamente a mesma do Homo sapiens e bastante parecida com as das outras espécies de mamíferos até agora seqüenciadas.

Dos 3 bilhões de pares de genes, apenas 35 milhões - menos de 4% - são diferentes dos encontrados no DNA dos humanos.

No entanto, essas pequenas diferenças têm um grande impacto. Elas nos deram um cérebro maior, a possibilidade de andar eretos sobre dois pés, habilidades lingüísticas complexas, a capacidade de adaptação rápida a mudanças climáticas, assim como várias outras características exclusivamente humanas.

"Para colocar isto em perspectiva... o número de diferenças genéticas entre o homem e o chimpanzé é dez vezes maior do que entre dois homens", informou o US National Institutes of Health (NIH), que ajudou a financiar a pesquisa.

Homens e chimpanzés têm um ancestral comum, uma criatura semelhante ao macaco que viveu na Terra há cerca de seis milhões de anos.

O tempo se encarregou de esculpir os genomas do macaco e do homem em sentidos diferentes, de acordo com uma análise publicada na Nature junto com o estudo.

A maioria das diferenças entre o homem e o chimpanzé reside nos trechos de DNA que parecem ter pouca ou nenhuma função. No entanto, três milhões de pares de genes se diferenciam em áreas funcionais, inclusive os genes produtores de proteína do núcleo do DNA. Cinqüenta e três genes presentes no genoma humano não existem ou existem de forma imperfeita no genoma do chimpanzé. Assim, o próximo desafio será descobrir o que esses genes fazem. Eles poderiam explicar por que somos humanos?

Tão intrigantes quanto esses genes são aqueles que estão presentes no chimpanzé mas que, por alguma razão, desapareceram do código genético do homem. Por exemplo, um gene do chimpanzé, o caspase-12, produz uma enzima que parece proteger o animal da doença de Alzheimer, mas não está presente nos homens modernos.

"Como nossos mais próximos parentes evolutivos vivos, os chimpanzés podem nos ensinar algo sobre nós", disse o diretor da pesquisa, Robert Waterston, da University Washington School of Medicine, de Seattle.

"Essa comparação entre genomas restringe a busca pelas diferenças biológicas chaves entre as espécies".

Os dois genomas também sugerem que, tanto nos homens quanto nos chimpanzés, há um pequeno número de genes diferentes dos dos outros mamíferos, sobretudo os relacionados à percepção do som e à transmissão de sinais nervosos.

O genoma humano foi publicado de forma resumida em fevereiro de 2001 depois de uma competição entre duas equipes de cientistas. O seqüenciamento do genoma humano foi seguido pelo do camundongo (dezembro 2002) e do rato (março 2004).

Outros organismos que tiveram seus códigos genéticos decifrados foram um pequeno verme chamado nematode, uma drosófila e um fungo. Como as do camundongo e do rato, esses seqüenciamentos são instrumentos fundamentais para as pesquisas de laboratório.

O DNA do chimpanzé usado na pesquisa foi extraído do sangue de um chimpanzé macho chamado Clint, do Yerkes National Primate Research Center de Atlanta, Geórgia. Clint morreu de insuficiência cardíaca no ano passado, aos 24 anos.

O trabalho foi realizado pelo The Chimp Sequencing and Analysis Consortium, que reuniu pesquisadores dos Estados Unidos, Alemanha, Israel, Itália e Japão.

Num artigo de opinião, também publicado na Nature, três especialistas em primatas disseram que as últimas descobertas revelam a semelhança entre os homens e os grandes macacos - uma categoria de primatas que compreende chimpanzés, bonobos, gorilas e orangotangos

Os autores do artigo - Pascal Gagneux, James Moore e Ajit Varki - pediram mais controle sobre as pesquisas com esses animais. Deve-se impedir que cientistas implantem genes humanos em grandes macacos - um procedimento que já é realizado com freqüência em ratos de laboratório para que esses animais reproduzam sintomas de doenças humanas.



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