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E agora, pingüim?

Da Redação

V.Hadel/CEBImar

Teco, pingüim recuperado pelo
CEBImar que agora vive em
aquário

Depois de passar pelo tratamento intensivo e se recuperar, os pingüins estão prontos para ir embora. A questão é: para onde?

Há uma polêmica sobre qual deve ser o destino destas aves que são recolhidas em nosso litoral. Alguns especialistas acreditam que os pingüins devem ser levados de volta ao seu habitat original. Outros acham que não.

"Os pingüins que recuperamos no CEBImar vão para o Aquário do Guarujá (Acquamundo) e no futuro irão também para o de Santos. Os que não sobrevivem são congelados e ficam à disposição de escolas de veterinária e biologia, para que os estudantes aprendam com um morto a salvar um vivo", afirma Valéria Hadel.

E por que não devolvê-los? "Muitos pesquisadores nos orientam a não fazer isso. Eles podem estar infectados com parasitas resistentes à água do mar. Se um pingüim contaminado entrar em contato com a colônia, pode dizimar a população inteira", explica Valéria Hadel. Além disso, a morte destes pingüins é um desgaste natural e um mecanismo da natureza para controlar sua população.

Valéria Hadel diz que o ideal é encaminhar os animais para um zoológico ou aquário que tenha condições de cuidar deles, com biólogos e veterinários especializados e, claro, outros pingüins. "Eles são animais gregários e precisam viver com outros da sua espécie. É cruel manter um pingüim isolado", alerta a bióloga.

Mas há quem discorde. André Sena Maia, do Zoológico de Niterói, acredita que os pingüins devem ser devolvidos à natureza. "Nosso zoológico não quer ser um local de exposição, mas um centro de reabilitação de animais. Os pesquisadores dizem que os pingüins que chegam aqui são descartes naturais, mas muitos se perdem por causa da escassez de alimento causada pela pesca excessiva do homem, o que não é natural", analisa o veterinário.

O Zoológico de Niterói devolve à natureza todos os pingüins que podem sobreviver à jornada. Depois de reabilitados, eles viajam em aviões da Força Aérea Brasileira até o Centro de Reabilitação de Animais Marinhos, na cidade de Rio Grande, no Rio Grande do Sul. Aí passam por uma nova quarentena e triagem. Aqueles que têm condições são levados por embarcações da Marinha e soltos em uma corrente marítima que volta para o sul.

V.Ruoppolo/IFAW

Pingüins reabilitados pelo CRAM
aguardam chance de voltar para
casa

A veterinária Valéria Ruoppolo, do IFAW, acredita que a decisão de devolver o animal à natureza é complexa e precisa ser reavaliada em vários momentos. Ela é a favor do retorno, desde que seja feito com o maior cuidado possível. "O homem interfere no habitat destes animais. Muitos dos centros de reabilitação do sul do continente só existem porque todo ano aparecem centenas de pingüins sujos de óleo. Isso não é um descarte natural", afirma Valéria. "Acho que temos uma obrigação moral de intervir, desde que isso seja feito de maneira adequada, sob supervisão rigorosa de veterinários e biólogos".

É preciso ter um programa adequado, com controle de doenças e que não exponha os animais a uma situação de risco. "Só profissionais capacitados devem fazer a reabilitação e decidir quando e onde devolver os animais", pondera Valéria Ruoppolo.

Se devolvidos à natureza, os pingüins sobrevivem? Valéria Hadel, do CEBImar, acha difícil. "Uma vez acompanhei uma destas intervenções. Foram marcados e devolvidos à natureza cerca de 100 pingüins, que desapareceram e nunca mais foram vistos", recorda.

André Maia Sena prefere ser otimista. "Não realizamos o monitoramento por falta de verba e tecnologia, mas em 6 anos de trabalho enviamos cerca de 400 pingüins de volta para o sul. Acredito que 30% sobrevivem. Se um sobreviver, já é uma vitória", conclui o veterinário.



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