
Pingüins de Magalhães
A maioria dos pingüins que chega à costa brasileira é formada por jovens aventureiros e gulosos. Muitos vêm parar aqui por causa das anchovas, um de seus alimentos preferidos. Mas a escassez de comida e os derramamentos de óleo, provocados pelo homem, também trazem estes visitantes para nossas praias.
No inverno, o Pingüim de Magalhães sai da colônia para se alimentar. Para isso, ele pega carona na corrente das Malvinas. Ele costuma seguir os cardumes de anchova e passa muito tempo no mar - os mais novos podem demorar até três anos nesta "maratona gastronômica".
Ao fim desta fase, os pingüins mais velhos fazem a curva no norte da Argentina e voltam para a colônia para reiniciar o ciclo reprodutivo. Como os jovens ainda não têm a obrigação de se reproduzir, ficam para trás, vagando. Alguns se perdem e acabam indo parar nas praias brasileiras.
"Já ouvi falar de pingüim que foi recolhido até em Salvador, na Bahia", comenta Valéria Hadel, do CEBImar. Teoricamente, pingüins podem aparecer em grande parte da costa brasileira. Mas a ocorrência é maior nos estados do sul do país, diminuindo à medida que se vai para o norte.

Bombeiros do Grupamento
Marítimo mostram pingüins
encontrados no litoral do
Rio de Janeiro
A diferença é que, no mar, o pingüim pode estar bem. Na areia, nem tanto. "Até o litoral do Rio de Janeiro, a ocorrência destes animais no mar deve ser considerada normal. Esta faixa do litoral brasileiro está na linha migratória deles. Mas os animais que aparecem na praia podem estar com problemas", explica a veterinária Valéria Ruoppolo, do International Fund for Animal Welfare (Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal, em português - IFAW).
Nesta época do ano, as correntes marítimas estão mais fortes e próximas do litoral. Os pingüins mais jovens, fracos e menos favorecidos não conseguem lutar contra a água ou se deixam arrastar até a areia, para descansar.
É difícil dizer quantos deles chegam ao nosso litoral. O número varia de ano para ano e de acordo com a região. Mas é certo que eles chegam por aqui todos os anos, entre julho e setembro. Em 2005, foram encontrados 17 animais nas praias do Rio de Janeiro, segundo o Coronel Osawa, do Grupamento Marítimo, que faz o resgate destes animais. "Mas já apareceram muito mais, até quinhentos num único inverno. Foi há cerca de quatro anos", lembra o Coronel.
De fato, os pesquisadores perceberam um ciclo nesta aventura migratória dos pingüins. Mais ou menos de quatro em quatro anos, eles aparecem com mais intensidade no nosso litoral. Mas os biólogos ainda não sabem dizer o por quê desta "mania".