UOL BichosUOL Bichos
UOL BUSCA
ÚLTIMAS NOTÍCIAS

05/04/2006 - 18h11

Novos fósseis preenchem lacuna entre animais da água e da terra


Por Patricia Reaney

LONDRES (Reuters) - Fósseis de uma espécie de peixe que viveu há 375 milhões de anos e foram encontrados no Círculo Polar Ártico preenchem uma lacuna evolutiva na transição entre animais de água e de terra, disseram cientistas na quarta-feira.

Os restos da nova espécie, batizada de Tiktaalik roseae, foram achados incrustados em uma rocha congelada. Ele tem nadadeiras e escamas como um peixe, mas o crânio de crocodilo, o pescoço e costelas indicam sua presença na terra.

"É um peixe que mostra uma surpreendente combinação de características de animais que vivem na terra", disse Neil Shubin, da Universidade de Chicago, chefe da equipe responsável pela descoberta.

"Este animal representa a transição da água para a terra", afirmou à Reuters.

O espécime, quase completo e muito bem preservado, mostra que o bicho tinha dentes afiados, uma mandíbula de 25 a 50 centímetros de diâmetro e um corpo achatado, que poderia atingir três metros de comprimento.

"Eles nos mostram em que estágio os animais de terra foram construídos", disse Shubin, que apresentou suas descobertas na revista Nature.

Os cientistas enfrentaram temperaturas extremas e tempestades para chegar ao fóssil, que estava na remota ilha Ellesmere, cerca de mil quilômetros ao norte do Círculo Polar Ártico, no Canadá.

Shubin tinha a companhia de Ted Daeschler, da Academia de Ciências Naturais, de Filadélfia, e de Farish Jenkins, da Universidade Harvard.

Eles também enfrentaram a ameaça de ursos polares durante a busca pelo chamado peixe elpistostegido, que seria um parente próximo dos tetrápodes -- animais de terra com membros, como anfíbios, répteis, aves e humanos.

O espécime foi descoberto nos primeiros dias de um mês de expedição, em 2004. O projeto havia sido iniciado em 1999. O grupo pretende voltar à região em julho para procurar mais fósseis.

As novas descobertas serão apresentadas no Museu de Ciências de Londres entre 6 de abril e o começo de maio.

"Fósseis anteriores representando este fato evolucionário foram realmente peixes com algumas poucas características de terra, ou vertebrados de terra com algumas poucas características residuais dos peixes", disse Andrew Milner, do Museu de História Natural de Londres.

"Estes fósseis mostram um animal que fica bem no meio entre peixes e animais de terra."

Os fósseis indicam ainda que a transição entre a água e terra foi gradual em peixes que viviam em águas rasas. Pouco a pouco, eles desenvolveram estruturas que lhes permitiam sobreviver em terra firme.

"Essa conclusão é um sonho que virou realidade", disse Daeschler. "Sabíamos que as rochas da ilha Ellesmere ofereciam um olhar sobre o período exato e foram formadas em tipos de ambientes que fornecem o potencial para encontrar fósseis que documentem essa importante transição evolutiva."

Hospedagem: UOL Host