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 Brasil

11/08/2005 - 12h30
Duda diz ter recebido de Valério R$ 10 milhões em paraíso fiscal

Fernando Rodrigues
Colunista do UOL

O publicitário José Eduardo Cavalcanti de Mendonça, o Duda Mendonça, confirmou na madrugada de hoje (11), em depoimento à Polícia Federal na Bahia, que "prestou serviços de marketing político somente ao PT em 2002", e o valor "do pacote global de serviços foi convencionado em torno de R$ 25 milhões".

Duda também disse que no ano de 2002 recebeu pelos serviços prestados ao PT "por volta de R$ 14 milhões, restando um crédito remanescente". Segundo o publicitário baiano, responsável pela campanha que levou Lula à Presidência da República, esse valor cobrado foi pago "diretamente pelo diretório nacional do PT e/ou comitês financeiros de campanha".

Reprodução 
Reprodução do depoimento do publicitário Duda Mendonça à Polícia Federal


Segundo Duda, um crédito remanescente "em torno de R$ 11 milhões" ficou em aberto. No início de 2003, depois que Lula já havia tomado posse, Delúbio Soares, então tesoureiro do PT, entrou em contato com a Duda Mendonça, agência do publicitário.

Isso teria acontecido "após inúmeras cobranças". No seu contato, Delúbio disse que o débito do PT com Duda "seria pago pelo senhor Marcos Valério". Duda afirma que até aquele momento desconhecia quem era Marcos Valério Fernandes de Souza, hoje apontado pela CPI dos Correios como um dos principais provedores do esquema chamado "Mensalão".

A empresa de Duda foi procurada por Valério "que revelou-lhe a necessidade de abertura de uma conta no exterior como condição de recebimento do débito existente". Orientado pelo Banco Boston Internacional, Duda abriu no exterior, mais exatamente nas Bahamas (um paraíso fiscal), uma empresa off-shore, denominada "Dusseldorf". Em favor dessa empresa, revelou Duda à PF, "foi depositando um valor em torno de R$ 10 milhões".

Duda diz não saber precisar a origem das remessas de Valério em favor da Dusseldorf. Disse, entretanto, que eram muitos depósitos em valores fracionados. Alguns desses valores eram provenientes de BAC-Florida Bank, Banco Rural Europa SA, Israel Discount Bank of New York, e de uma empresa chamada Trade Link.

O publicitário baiano disse poder comprovar a maioria dos depósitos em sua off-shore provenientes de Marcos Valério. Duda mantém cópia de vários faxes encaminhados à sua empresa pela empresa SMPB, agência de publicidade da qual Valério é um dos sócios.

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