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12/08/2005 - 12h46
Lula diz se sentir traído e pede desculpas à nação
Da Redação
Em São Paulo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em pronunciamento à nação com mais de três horas de atraso em relação ao inicialmente programado, se disse traído e indignado pela grave crise política. "Eu me sinto traído por práticas inaceitáveis. Indignado pelas revelações que chocam o país, e sobre as quais eu não tinha qualquer conhecimento." O presidente também pediu desculpas "ao povo brasileiro". O discurso ocorreu logo antes do início da reunião ministerial na Granja do Torto, em Brasília.
Lula disse que, se pudesse, já teria punido os culpados, mas que esse poder não está em suas mãos. Destacou o papel da Polícia Federal nas investigações e garantiu que afastará imediatamente os apontados por envolvimento. "Estamos investigando todas as denúncias. Ninguém será poupado", disse.
 | | | Lula faz pronunciamento à nação | No discurso, o presidente admitiu erros do partido e do governo. "Não tenho nenhuma vergonha de dizer que nós temos de pedir desculpas. O PT tem de pedir desculpas. O governo, onde errou, precisa pedir desculpas", afirmou Lula.
Foi a primeira vez que Lula referiu-se à crise política em um pronunciamento na TV. Ele ainda declarou-se "indignado com as revelações", sentimento que seria compartilhado "pela grande maioria de todos aqueles que nos acompanharam nessa trajetória". Ele também defendeu as bandeiras da ética e da honestidade na política. "O PT foi criado para fortalecer a ética na política". E sentenciou: "eu não mudei, e tenho certeza disso."
Conquistas econômicas Lula iniciou seu pronunciamento listando os resultados econômicos, ressaltando o crescimento da oferta de trabalho e o que chamou de "revolução do consumo em massa". Em seu governo, disse, foram criadas 104 mil novas vagas formais por mês. Três milhões e meio no total do governo. Ele destacou ainda os recordes da balança comercial e o controle da inflação. "Tenho certeza de que o povo sente a diferença. O país está mudando para melhor."
 | | | Lula discursa em reunião ministerial | Ao final de seu pronunciamento, Lula pediu aos empresários que não deixem de investir no país por conta da crise política. "Este país não pode parar", afirmou. E mais uma vez reforçou seu sentimento em relação aos supostos casos de corrupção. "Sei que vocês estão indignados, e eu estou tão ou mais indignado que qualquer brasileiro". Para encerrar, lançou um apelo: "sei que posso contar com o povo brasileiro".
"Não é hora de recuar" O presidente nacional do PT, Tarso Genro, reforçou as pelavras de Lula e afirmou que "o partido está alerta, sabe que errou. Não é hora de recuar". Mas considerou o discurso do presidente "insuficiente". Tarso ponderou, no entanto, que Lula deve fazer outros pronunciamentos sobre a crise. "Eu acho que o presidente fez um primeiro pronunciamento à nação. Não será o único, ele deverá fazer uma série. Se fosse esse exclusivamente, eu diria que é insuficiente", disse Tarso a jornalistas no Rio de Janeiro.
O discurso de Lula aconteceu no dia seguinte ao depoimento voluntário de Duda Mendonça à CPI dos Correios. Marqueteiro da campanha eleitoral vitoriosa de Lula em 2002, Duda confirmou ter recebido dinheiro de caixa 2 do PT. Duda revelou ainda um esquema de transferência de recursos para uma empresa offshore nas Bahamas, um paraíso fiscal.
O depoimento de Duda deflagou reações em todo o Congresso Nacional. O senador Pedro Simon (PMDB-RS) cobrou de Lula um pronunciamento ao Brasil. "Ou ele fala amanhã (sexta-feira) ou nunca mais." Pediu a Duda que influenciasse o presidente para que se decidisse a falar à nação.
Decepcionante e pífio O senador Álvaro Dias (PSDB-PR defendeu a necessidade de se discutir o impeachment do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como solução para a crise política que o país enfrenta. "Certamente a alternativa do impeachment tem que ser discutida", disse o senador na quinta-feira. Logo após o pronunciamento de Lula, o senador disse estar decepcionado. "O discurso foi decepcionante. Lula falou sem olhar nos olhos da nação", afirmou.
O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio Neto (AM), foi mais longe e afirmou que o pronunciamento foi "a peça mais pífia e indigna" da história brasileira e que a crise só vai se agravar.
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