BRASÍLIA (Reuters) - Pouco mais de três meses após ameaçar dar uma "surra" no presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), voltou a lançar desafios contra o chefe do Executivo, nesta segunda-feira.
Desta vez, ele não poupou de críticas o presidente e o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.
O desafio a Lula foi uma resposta ao anúncio pelo PT de que o partido irá processar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que, em entrevista à revista Istoé, afirmou que "a ética do PT é roubar."
"Eu o desafio a processar o Fernando Henrique," provocou o líder tucano. "Seria ótimo um processo contra o ex-presidente para mostrar na Justiça, com todas as letras, as denúncias de corrupção contra Lula."
Vírgílio também não poupou Thomaz Bastos. Ele quer que o ministro se pronuncie publicamente sobre a chamada "lista de Furnas" que aponta supostas doações de caixa dois que teriam sido feitas a políticos aliados de FHC, em 2002.
A relação, com 156 nomes de integrantes do PSDB, PFL e outros dez partidos, está sob investigação da Polícia Federal.
"Ele (Thomaz Bastos) está na obrigação de se pronunciar sobre a lista," disse. "Se o ministro não der uma satisfação clara, será acusado de estar tentando transformar a Polícia Federal em polícia política de um novo Papa Doc. Eu não vou aceitar isso. Aqui não é o Haiti."
O ex-presidente do Haiti François Duvalier, conhecido como Papa Doc, comandou aquele país com mão-de-ferro entre 1957 e 1971.
"Ele (Bastos) não vai transformar a polícia federal em tontons macoutes (bichos-papões) para reprimir adversários e perseguir desafetos," acrescentou Virgílio, lembrando a guarda pessoal de Papa Doc.
Por meio de sua assessoria de imprensa, Bastos informou à Reuters que não tem como afirmar se a lista de Furnas é falsa ou não, o que caberá às investigações da PF e do Ministério Público Federal dizer.
O ministro afirmou, ainda, que procura não acompanhar as investigações que são conduzidas pela PF. Conforme a assessoria, Bastos costuma aconselhar o órgão a agir de maneira impessoal sem perseguir adversários do governo e sem proteger aliados. A orientação, informou o ministério, é investigar de forma completa todas as denúncias.
(Por Áureo Germano)
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