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 Brasil

25/02/2008 - 16h44
Para dar certo, "Territórios da Cidadania" não pode cair no paternalismo, diz especialista

Da Redação
Em São Paulo

Foi lançado nesta segunda-feira (25) pelo governo federal um novo programa de desenvolvimento social. Chamado de "Territórios da Cidadania", o programa promete investimentos de mais de mais de R$ 11 bilhões em áreas de baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do país. Para 2008, foram selecionados 60 territórios que abrangem 958 municípios, em que vivem 24 milhões de pessoas, 7,8 milhões em área rural.



Segundo o sociólogo Ivaldo Gehlen, professor da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e especialista em desenvolvimento rural, o baixo IDH em áreas rurais foi decorrente do processo de despovoamento dessas áreas e de uma mudança do perfil do uso das terras nas últimas décadas. De acordo com ele, as políticas públicas para o setor rural sempre privilegiaram aqueles que tinham melhores condições de atender as demandas das políticas de produção agropecuária. "Essa mudança privilegiou aqueles que tiveram acesso a melhores tecnologias", disse.

OS NÚMEROS DO PROGRAMA
Folha Imagem
Municípios: 958
População total: 24 milhões
População rural: 7,8 milhões
Agricultura Familiar: 1 milhão de agricultores
Assentados Reforma Agrária: 319,4 mil famílias
Bolsa Família: 2,3 milhões de famílias
Comunidades Quilombolas: 350
Terras Indígenas: 149
Pescadores: 127,1 mil
Para o sociólogo, o programa apresentado pelo governo tem boas chances de dar certo. "Parece que o sentido mais interessante que ele apresenta é o que eu chamo de uma inversão de prioridades", falou. Segundo ele, o programa beneficia as áreas e as populações que estão no limite de sobrevivência no meio rural. "Se tiver sucesso, ele vai se tornar importante no sentido da sustentabilidade, porque essas populações podem continuar sobrevivendo com qualidade de vida e elas vão participar do processo produtivo de modo a beneficiar a sociedade", explicou.

Outro mérito do programa é o investimento em educação, em lazer e em novas formas de sobrevida no meio rural, que "são fundamentais para uma visão de desenvolvimento sustentável". Mas Gehlen faz um alerta para o risco de descontinuidade, que pode comprometer o sucesso do programa, ou de ele se tornar paternalista. Para romper com o paternalismo, disse, é preciso pensar na organização social dessas populações. "Que eles por si próprias se organizem e possam no futuro atender as suas necessidades", falou. "Não havendo esses problemas, há boas chances, sim, de ele ter sucesso, evidentemente a médio e longo prazo", afirmou.

Não é eleitoreiro
No lançamento do "Territórios da Cidadania" em Brasília, o ministro do Desenvolvimento Agrário Guilherme Cassel, rebateu as acusações da oposição e afirmou que é "mesquinharia" achar o programa é "eleitoreiro". Veja trecho da entrevista.



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