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18/12/2009 - 07h00

O que mudou desde a primeira grande conferência sobre o clima?

Thiago Chaves-Scarelli
Do UOL Notícias

Em 1992, mais de 170 países se reuniram no Rio de Janeiro para discutir como proteger o ambiente, em uma época em que a ciência ainda não conseguia medir o aquecimento global e o crescimento demográfico era visto com assombro. Hoje, 17 anos depois, uma pilha de estudos jura que o clima está esquentando por nossa culpa, e os líderes mundiais voltam a se reunir para decidir o que fazer. O principal impasse, contudo, ainda é mesmo: ninguém quer assumir a conta.

Quer saber mais? Confira abaixo as características comparadas das duas cúpulas, em dez temas selecionados pelo UOL Notícias.

 

A Eco 92, também chamada de Conferência da Terra, foi o mais abrangente encontro climático de sua época, com ambições semelhantes àquelas anunciadas pela atual reunião em Copenhague. E o que mudou desde então? Por um lado, se o mundo se reúne de novo, em clima de urgência, é porque os problemas não foram resolvidos. Por outro, se a preocupação existe é porque a Eco 92 conseguiu instalar a questão do ambiente na agenda política mundial.

“Naquela época, os termos foram colocados de modo muito cuidadoso, se falava em ‘perigoso’, mas não se sabia bem o que era ‘perigoso’, acabava sendo um adjetivo vago”, explica o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Carlos Nobre. “Hoje, com tremendo avanço científico, temos capacidade de enxergar com os nossos próprios olhos o aquecimento global”.

O que isso significa? “Dá para ver que essa trajetória, se não for alterada, será muito perigosa. A temperatura vai aumentar 4º ou 5º até o próximo século, ou seja, agora nós sabemos quantificar o que é ‘perigoso’”, afirma Nobre, que também é membro do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU.

Por outro lado, é possível observar avanços em alguns temas, que desapareceram da discussão. “A causa do buraco de ozônio foi bem identificada pela ciência”, afirma o especialista, referindo-se ao CFC, que por muito tempo foi o “vilão” da natureza.

“Os acordos internacionais praticamente baniram a produção desses elementos e o lançamento de CFC na atmosfera diminuiu mais rapidamente do que se pensava”, acrescenta. “É provável que até meados do século o buraco suma”.

A questão da demografia também mudou de figura. Em 1992, muitas vozes advertiam que o ritmo de crescimento da população mundial ia ser fatal para os recursos naturais. Hoje, se percebe a diminuição mundial da fertilidade, e os analistas estimam que a população do planeta tende a se estabilizar em 9 bilhões de pessoas, derrubando o medo do crescimento desenfreado. “É um número grande, manter essa população com qualidade de vida afeta o ambiente, mas o planeta terá que lidar com isso. O que não é possível é impor a restrição da fertilidade, que é uma postura autoritária. Fertilidade é questão cultural, e diminui com a educação”, explica o cientista.

O pesquisador também alerta que, mesmo assim, o encontro de Copenhague já vem tarde. “Se houvesse menos inércia, essa reunião deveria ter acontecido em 1994 ou 1995”.

“Os países têm uma inércia enorme, se escudaram em uma incerteza científica, que sempre vai existir”, comenta Nobre. “Para quem olha retrospectivamente, parece um enorme tempo que se perdeu, mas, como diz o ditado popular, antes tarde do que nunca”.

 

 

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