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18/07/2008 - 18h00

Fique de olho nos rótulos dos produtos de limpeza

Tatiana Pronin
Editora do UOL Ciência e Saúde
Nem todo rótulo de produtos químicos inclui tudo o que o consumidor precisa saber. Além disso, muita gente não tem paciência de ler as informações em letras miúdas das embalagens antes de usar desinfetantes, detergentes, inseticidas ou alvejantes.

Casos graves de intoxicação, especialmente entre crianças, poderiam ser evitados se fabricantes e usuários adotassem outra postura. O alerta é da doutora em vigilância sanitária Rosaura Pesgrave, do Departamento de Farmacologia e Toxicologia do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS) da Fiocruz.

Arquivo Folha Imagem
Produtos de limpeza sem rótulos devem ser evitados, segundo a especialista da Fiocruz
ANVISA PROÍBE USO DE FORMOL
INTOXICAÇÕES CRESCEM NAS FÉRIAS
PESTICIDAS E BICHOS DE ESTIMAÇÃO
Pesgrave é responsável pela avaliação dos rótulos de produtos encaminhados pelas vigilâncias sanitárias estaduais ou municipais quando há alguma suspeita de irregularidade, ou durante programas de monitoramento de qualidade. Segundo ela, as informações imprescindíveis numa rotulagem para prevenir acidentes ou exposição desnecessária são:

- alerta ao consumidor para a leitura das instruções antes de usar o produto;

- finalidade e modo de uso (se o produto for utilizado para a finalidade a que se propõe e de maneira correta, as chances de ocorrer um efeito indesejável é menor);

- medidas de prevenção para o risco previsível (ou seja, explicar que o produto é tóxico se ingerido, inalado, ou ao contato dos olhos e da pele);

- orientação de primeiros socorros em caso de acidente. Essa informação deve abordar todas as vias de exposição possíveis (ingestão, olhos, pele e inalação), além de alertar o consumidor para a importância de se levar a embalagem ou o rótulo do produto caso seja necessário atendimento médico;

- cuidados de conservação do produto (isso deve incluir medidas para a manutenção da qualidade e cuidados para a estocagem segura, como, por exemplo, manter fora do alcance de crianças e animais domésticos, manter o produto na embalagem original e não reutilizar a embalagem vazia).

Em entrevista ao UOL Ciência e Saúde, ela explica por que nem todos os fabricantes cumprem os itens mencionados, como evitar intoxicações e quais procedimentos adotar em caso de ingestão acidental de produtos de limpeza.

UOL Ciência e Saúde - Como é a legislação sobre rótulos de produtos químicos no Brasil?
Rosaura Pesgrave A legislação sanitária brasileira é composta por diferentes diplomas legais, ou seja, leis, portarias e resoluções. No caso de produtos de limpeza, os dizeres de rotulagem são abordados em todos eles, de forma genérica (como nas leis) ou específica (nas portarias e resoluções). O problema é que há um conflito normativo quanto à exigência de obrigatoriedade da informação, seu formato e localização no rótulo. O que acontece é que muitas vezes um produto precisa atender a vários diplomas legais e o fabricante acaba optando por aquele que mais específico ao seu caso.

UOL Ciência e Saúde - Como é em outros países?
RPA comunicação do risco de um produto é exigida em todos os países e estudos semelhantes ao que eu fiz, de avaliação da qualidade da informação veiculada no rótulo, demonstram que esse problema é freqüente também fora do Brasil.

UOL Ciência e Saúde - É perigoso misturar produtos com finalidades diferentes?
RPAs misturas mais tóxicas geralmente envolvem cloro (presente nas águas sanitárias). Há risco em se misturar esses produtos com outros à base de amônia (como desinfetantes). Essa mistura forma um gás chamado cloramina, que é profundamente tóxico quando inalado. Também não se deve utilizar água sanitária com ácidos ou soda cáustica.

UOL Ciência e Saúde - Como o consumidor pode evitar problemas?
RPDeve-se tomar o cuidado de adquirir o produto correto para a finalidade esperada e seguir as instruções de uso e advertências do fabricante. Não comprar produtos sem rótulo também é uma regra básica. Os produtos piratas, vendidos em garrafas PET, representam grande perigo, pois podem parar na geladeira e ser confundidos com refrigerante ou água.

UOL Ciência e Saúde - Recentemente a Anvisa publicou uma resolução proibindo o uso de formol nos produtos de limpeza. Quais outros componentes merecem atenção?
RPTodo produto químico possui alguma toxicidade, por isso a população deve ficar atenta em utilizar apenas os produtos que atendam a sua necessidade.

UOL Ciência e Saúde - Na sua opinião, há exagero na quantidade de substâncias químicas que utilizamos para limpar a casa?
RPO que acontece é que há um forte apelo publicitário que induz ao consumo. O desenvolvimento tecnológico permite que cheguem ao mercado produtos com propriedades que facilitam o dia-a-dia das pessoas, contribuindo para que a tarefa de limpeza da casa seja mais rápida. A população não deixar-se levar pela propaganda e adquirir produtos que têm a mesma finalidade. Esses itens devem ser usados de forma racional, não só pela segurança das pessoas que têm contato com eles, mas também pela questão ambiental, tão discutida atualmente.

UOL Ciência e Saúde - O que fazer em caso de ingestão acidental?
RPEssa orientação é crucial, uma vez que essa é a principal causa de intoxicação em crianças. Muita gente dá água ou leite para a vítima na tentativa de "cortar o efeito do veneno". Esse procedimento é adequado contanto que não induza ao vômito, ou a substância vai 'queimar' o organismo duas vezes. A quantidade de líquido deve ser de um copo para adulto e de meio para criança. Mas, dependendo do produto, isso não dever ser feito, como no caso da ingestão de veneno de rato ou barata, por exemplo. Tomar leite também não se aplica se a ingestão foi de derivados de petróleo (como querosene, naftalina e removedores). O melhor a fazer, sempre, é procurar orientação médica, informando ao profissional o que foi ingerido. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) coloca à disposição o Disque Intoxicação (0800-7226001). A ligação é direcionada ao centro mais próximo do usuário e um profissional habilitado fornece a orientação necessária.
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