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29/10/2009 - 20h17

Doenças tropicais negligenciadas cobram um preço amargo

Donald G. McNeil Jr.

Países muçulmanos carregam nos ombros "uma carga devastadora" das doenças tropicais negligenciadas do mundo, segundo um artigo publicado no Public Library of Science Neglected Tropical Diseases.

 

O artigo, uma combinação de análise e editorial escrito pelo editor do jornal, Peter J. Hotez, mostra que os estados-membros da Organização da Conferência Islâmica respondem por 40% das infestações com vermes intestinais do mundo.

 

Infestações por vermes, mais comuns em crianças, podem atrasar seu crescimento e deixá-las cansadas demais para permanecerem acordadas na escola. Os vermes podem causar uma anemia perigosa em mulheres grávidas e dores incapacitantes em agricultores.

 

Os países-membros também têm 20% dos casos de hanseníase e 21% dos tracomas que causam cegueira.

 

Ao mesmo tempo, explicou o artigo, não há faculdade de medicina tropical em parte alguma do mundo islâmico, embora vários países do Golfo Pérsico estejam construindo universidades de primeira linha.

 

Hotez escreveu que atacar doenças negligenciadas – a maioria delas tem soluções simples e baratas – era uma forma eficaz e econômica de ajudar os pobres em países muçulmanos.

 

"Ações conjuntas entre países do G8 e famílias e governos importantes no Golfo Pérsico", escreveu ele, "poderiam representar um começo impressionante".

 

Em entrevista, Hotez disse que começou a trabalhar em seu artigo depois de ouvir o presidente Barack Obama pedir, em junho, no Cairo, uma nova relação entre o islã e o Ocidente. Os petrodólares, o conhecimento médico ocidental e uma melhor governança em alguns países muçulmanos poderiam melhorar rapidamente a situação de muitos pobres, afirmou o editor.


 

Tradução: Gabriela d'Avila
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