O Brasil é o terceiro maior consumidor de remédios inibidores de apetite produzidos à base de anfetamina no mundo, segundo um relatório publicado nesta terça-feira pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC).
| Ao apresentar o estudo de 2008 sobre o consumo de drogas sintéticas, o UNODC (Escritório da ONU sobre Drogas e Crime) disse que seu consumo já supera o da cocaína e heroína juntas. Leia mais |
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| DROGAS SINTÉTICAS |
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De acordo com a UNODC, entre os biênios de 2000-02 e 2004-06, o consumo deste tipo de estimulantes do grupo anfetamínico (ATS) produzidos legalmente aumentou em 57% nas Américas - de 7 para 11 doses diárias por mil habitantes.
Segundo o relatório, o consumo desses estimulantes foi maior do que a média em países da América do Sul, da América Central e do Caribe. De acordo com o documento, isso seria resultado da disponibilidade e abuso desses produtos por fontes lícitas.
No Brasil, por exemplo, a anfetamina é a principal substância de diversos remédios para perda de peso e estimulantes, entre eles os conhecidos Anfetramona e Fenproporex, produzidos licitamente e vendidos até pela internet.
As anfetaminas são substâncias sintéticas (fabricadas em laboratório) estimulantes da atividade do sistema nervoso central, isto é, fazem o cérebro trabalhar mais depressa. Há anfetaminas de uso legal, como as presentes em diversos remédios para emagrecimento. Entre as de uso ilegal está o ecstasy, formado pela metilenodióximetanfetamina (MDMA). A pessoa sob ação de anfetaminas tem insônia, perde o apetite, sente-se cheia de energia e fala mais rápido que o normal. A droga causa dilatação da pupila, aumento do número de batimentos do coração e aumento da pressão sangüínea. Fonte: Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas |
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| O QUE SÃO ANFETAMINAS? |
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"Esse aumento representa um padrão preocupante que indica abuso no número de receitas, o que no passado já foi associado a um risco maior de abuso dos ATS", diz o documento.
Segundo o documento, o consumo dos estimulantes à base de anfetaminas foi de dez doses diárias por mil habitantes em 2004-06.
Na Argentina - país que ocupa o primeiro lugar neste ranking, seguido pelos Estados Unidos - o consumo foi de 17 doses diárias por mil habitantes.
Drogas sintéticas O relatório alerta que o consumo de drogas sintéticas como o ecstasy, anfetaminas e metanfetamina, apesar de estáveis na maioria dos países desenvolvidos, aumentou nos países em desenvolvimento, especialmente no leste e sudeste asiáticos e no Oriente Médio.
De acordo com o documento, o consumo permaneceu estável ou apresentou redução em países da América do Norte, Europa e Oceania, mas o problema se espalhou para novos mercados.
A Ásia é responsável por uma grande demanda. Em 2006, cerca da metade dos países asiáticos registraram aumento no consumo de metanfetaminas. No mesmo ano, a Arábia Saudita apreendeu mais de 12 toneladas de anfetamina - o que representa 25% de todos os ATS apreendidos no mundo. Em 2007, esse número subiu para 14 toneladas.
Esses dados refletiram no consumo global anual das drogas sintéticas, que superou o da cocaína e da heroína. Segundo as estimativas da UNODC, o mercado global dos estimulantes sintéticos movimentou cerca de US$ 65 bilhões (R$ 112 bilhões).
Ao apresentar os dados em Bangcoc, o diretor da UNODC, Antonio Maria Costa, alertou para o perigo de considerar as drogas sintéticas como "inofensivas" e comentou a transformação no modo de produção desses estimulantes.
"Há uma década, as drogas sintéticas eram uma indústria pequena. Agora, é um grande negócio, controlado por grupos criminosos organizados e que envolve todas as fases do comércio ilícito - do contrabando de substâncias químicas à produção e ao tráfico", disse Costa.
Prevenção A divulgação do relatório foi acompanhada pelo lançamento de um novo programa da UNODC para tentar difundir informações sobre os estimulantes do grupo anfetamínico.
Chamado de Monitoramento Sintético Global: Análise, Relatos, Tendências (Smart, na sigla em inglês), o programa será direcionado aos governos - principalmente em países mais vulneráveis - para melhorar a capacidade de coletar, analisar e trocar informações sobre esses estimulantes, seu consumo e rotas de tráfico.
Segundo a UNODC, essas informações poderão ajudar os países a desenvolver programas de prevenção mais eficientes e melhorar o combate à produção dessas drogas.