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26/10/2009 - 16h21

Cientista é condenado por falsa clonagem humana na Coreia do Sul

Da Efe

Um tribunal de Seul considerou hoje culpado de desvio de recursos e compra ilegal de óvulos o cientista sul-coreano Hwang Woo-souk, que em 2004 enganou ao mundo ao anunciar a clonagem de embriões humanos.

Depois de ser alçado ao posto de herói nacional pela suposta clonagem, o cientista foi condenado a dois anos de prisão em suspensão, o que significa que não ficará recluso em um presídio, embora tenha que ficar três anos sob vigilância das autoridades.

O tribunal suspendeu a pena de prisão por considerar que, apesar das estratégias, o pesquisador é uma autoridade em clonagem animal na Coreia do Sul e que o dinheiro de fato foi destinado à pesquisa.

A justiça, no entanto, reconheceu que o cientista manipulou as pesquisas sobre clonagem de embriões humanos, mas não o condenou por isso porque a Promotoria não apresentou acusações neste sentido.

A corte do Distrito Central de Seul, encarregada do processo que durou mais de dois anos, o declarou culpado pela má utilização de 830 milhões de wons (cerca de 470 mil euros) e de comprar óvulos humanos para as experiências, feito proibido pelas leis sul-coreanas de bioética.

O tribunal opinou que o delito cometido por Hwang, veterinário especializado em reprodução animal, é grave e insistiu em que "as pesquisas científicas não devem ultrapassar os âmbitos legais".

A Promotoria que havia pedido quatro anos de prisão deve apelar da sentença.

Após conhecer a decisão, o médico deixou a sala calado.

Em duas diferentes publicações, em 2004 e 2005, Hwang, de 56 anos, anunciou a clonagem de um embrião humano e extração de células-tronco dele, o que na teoria poderia facilitar a criação de tecidos humanos.

Se realmente a descoberta tivesse ocorrido, o que levou às páginas das revistas científicas de mundo inteiro, incluída a "Science", teria aberto as portas à cura de doenças como o diabetes e o alzheimer.

Em janeiro de 2006, no entanto, uma comissão de pesquisa da Universidade de Seul confirmou que Hwang, considerado então uma eminência mundial, tinha falsificado os resultados dos experimentos e que nunca existiram tais células-tronco.

O próprio cientista, que chegou a dirigir o primeiro banco mundial de células após o fato, admitiu ter falsificado alguns dados das pesquisas.

O caso do "doutor clone" provocou reações na Coreia do Sul que chegou a proibir a pesquisa com células-tronco embrionárias até março de 2007, quando o comitê ético genético sul-coreano levantou o veto com a condição de utilizar só óvulos descartados de inseminações artificiais.

Um feito de Hwang reconhecido pela comunidade internacional foi a clonagem de um cachorro em 2005, um galgo afegão chamado "Snuppy".

Após a falsa das células-tronco que levou a ação e posterior queda, Hwang retomou as pesquisas e atualmente trabalha em um laboratório local, de novo no campo da clonagem, embora com sua reputação já manchada para sempre.


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