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28/10/2009 - 15h40

Pai do genoma admite que criar vida artificial é mais difícil que pensava

Da Efe

O cientista americano John Craig Venter, considerado o pai do genoma humano, reconheceu que seu ambicioso projeto de criar vida a partir de um cromossomo artificial é mais difícil que pensava.

 

"O projeto de introduzir um cromossomo artificial em uma célula e despertá-lo para a vida é mais difícil que pensei. Mas superamos todos os obstáculos e, por isso, sigo sendo otimista", assegurou Venter, em entrevista publicada hoje pelo jornal austríaco "Der Standard".

 

Jorge Araújo/Folha Imagem - 07.11.2005
O cientista e pesquisador Craig Venter, durante evento em 2005, em São Paulo
Um grupo de cientistas do John Craig Venter Institute conseguiu criar o primeiro cromossomo sintético, o que é considerado um avanço rumo à criação de micro-organismos capazes, por exemplo, de produzir biocombustíveis e de ajudar a limpar o meio ambiente.

 

Os cientistas transplantaram esse cromossomo em uma célula bacteriana à espera de alcançar o controle do organismo, algo que ainda não ocorreu, segundo Venter.

 

Um dos problemas é que o pequeno código genético do cromossomo sintético evolui muito lentamente e, por isso, Venter já está trabalhando em "um genoma muito maior. Isto teria a vantagem de que as células cresceriam muito mais rápido", segundo ele.

 

O cientista também rejeitou as críticas de que esteja brincando de ser  Deus e disse que se trata de uma "acusação falsa".

 

"Não vamos criar vida a partir do zero. Pegamos o material da vida, os pares de bases do DNA, e só colocamos estas peças em uma nova ordem. Construímos sobre a base de mais de três mil milhões de anos de evolução", destacou.

 

Venter ressaltou ainda a importância de trabalhar neste campo "para criar organismos que solucionem os problemas mais urgentes do mundo".

 

"Experimentamos sempre com genomas, embora fosse de forma cega. (...) A população mundial aumentará nas próximas quatro décadas provavelmente para nove bilhões de pessoas. E deverão ser alimentados, precisarão de casas e energia", disse.

 

A empresa do cientista, a Synthetic Genomics, está trabalhando com a multinacional petrolífera Exxon para criar algas que sejam capazes de produzir em menos de dez anos "bilhões de litros de combustível".

 

Mas a questão para Venter é se o preço deste biocombustível será vantajoso se comparado com o do petróleo.


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