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13/09/2005 - 15h00
Depoimento de Genoino é tumultuado pela presença de coronel que o prendeu

Da Redação
Em São Paulo

Lembranças do período da luta armada contra a ditadura causaram tumulto no depoimento do ex-presidente do PT José Genoino à CPI do Mensalão nesta terça-feira.

Lula Marques/Folha Imagem 
O ex-presidente do PT José Genoino durante depoimento à CPI do Mensalão
Ainda no começo dos trabalhos, durante a inquirição do relator Abi-Ackel, o depoimento foi interrompido em razão da presença de coronel Lício Augusto Maciel, o militar que prendeu Genoino quando ele era integrante da guerrilha do Araguaia (1972-75). Maciel foi levado à sessão a convite do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ).

Ao notar a presença de Maciel, o presidente da CPI, senador Amir Lando (PMDB-RO), expulsou da sala tanto o deputado Bolsonaro quanto o coronel.

O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) interrompeu o depoimento de seu colega de partido para dizer que a presença desse coronel era uma "afronta". A senadora Ideli Salvatti (PT-SC) seguiu a mesma linha, e disse que o fato é uma "agressão à CPI e à história política de Genoino".

O deputado Bolsonaro disse que pagou a passagem do coronel e argumentou que ele é seu convidado para assistir à CPI. O coronel disse que aceitou o convite como cidadão.

Sem mensalão

Durante o depoimento Genoino negou mais uma vez a existência do "mensalão", o suposto de esquema de compra de apoio dos partidos aliados ao governo, que foi denunciado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). Segundo Genoino, o PT não fez "vale-tudo" para governar.

"Eu reafirmo aqui que participei de todas as negociações das principais polêmicas no Congresso. Nunca tratei, nem ouvi tratar, de troca de apoio por dinheiro. Portanto, não houve mensalão", disse Genoino quando inquirido pelo relator da CPI, o deputado Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG)

Além disso, o ex-presidente do PT quis manter duas posições conflitantes. Disse que ele e toda a executiva do PT não sabiam das movimentações financeiras feitas por Delubio Soares, ex-tesoureiro do partido. Ao mesmo tempo, tentava não incriminar ainda mais Delubio.

Mesmo assim, Genoino repetiu algumas vezes que todas as ações do ex-tesoureiro eram feitas sem conhecimento da executiva do partido.

Abi-Ackel insistia na tentativa de fazer Genoino reconhecer que sabia das operações conduzidas por Delubio em conjunto com o empresário Marcos Valério.

"O Delúbio Soares onerou as finanças do partido sem o conhecimento do presidente do partido, que era o senhor?", questionou o relator. Genoino disse que sim. "Sem o conhecimento da executiva. Nunca discutimos no diretório nacional nem tivemos informações sobre movimentação financeira não-contabilizada."

O ex-presidente do PT disse que avalizou apenas R$ 5,4 milhões em empréstimos, movimentação contabilizada e registrada no TSE.

Sobre os outros empréstimos não-contabilizados e realizados por Delubio e Valério, Genoino disse que não eram de sua competência. "Quem seriam os avalistas, isso era de competência do tesoureiro", afirmou ele.

Enquanto era presidente do partido, disse que "assinava as contas, mas não decidia quem emprestava, quem eram os avalistas". Disse ainda que não tratou de questões financeiras do PT, que eram de incumbência de Delubio. "Esses empréstimos foram feitos pelos tesoureiros. Era Delubio quem tinha que buscar dinheiro para o partido", disse Genoino.

(Com informações da Reuters)

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