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26/01/2006 - 15h27
Na CPI dos Bingos, Palocci nega denúncias e diz que não será candidato

Da Redação

Em depoimento de mais de cinco horas à CPI dos Bingos, nesta quinta-feira, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, não trouxe novidades: negou as denúncias de irregularidades na sua gestão na prefeitura de Ribeirão Preto (SP) e também desmentiu as acusações de que o PT tenha recebido dólares de Cuba.

Jamil Bittar/Reuters 
O ministro Antonio Palocci durante depoimento à CPI
O ministro também garantiu que não vai ser candidato nas eleições deste ano, mas que pode ser nas próximas. "O futuro a Deus pertence", disse.

Palocci atribuiu a interesses políticos locais boa parte das denúncias sobre supostas irregularidades que teriam sido cometidas durante a sua gestão como prefeito de Ribeirão. "É preciso ponderar o que existe nessas denúncias de fiscalização e o que há de luta política. Toda vez que alguém acha que vou ser candidato a alguma coisa, esses assuntos aparecem. Nesta eleição não serei candidato a nada, acho que estou contribuindo com meu país e, enquanto o presidente Lula achar importante, vou manter meu trabalho", disse Palocci, ao responder a questionamentos do relator da CPI, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN).

Durante todo o depoimento, o ministro manteve-se calmo e não demonstrou irritação diante dos senadores, nem mesmo quando a senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) disse não acreditar "em uma palavra" do que ele dizia. Outros senadores, como Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), chegaram a elogiar o ministro.

Fiel ao seu estilo, Palocci manteve-se frio e respondeu com calma às indagações dos parlamentares. Ele atribuiu a interesses políticos locais boa parte das denúncias sobre supostas irregularidades que teriam sido cometidas durante a sua gestão como prefeito de Ribeirão Preto (SP).

Dólares de Cuba
Uma das principais denúncias contra Palocci, a de a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria recebido recursos do governo cubano em 2002, também foi negada pelo ministro. Ele disse poder afirmar "com tranqüilidade" que não houve dinheiro "nem de Cuba e nem de outros países".

"Não houve dinheiro de Cuba na campanha do presidente Lula", afirmou o ministro. Para Palocci, a denúncia divulgada pela imprensa de que Cuba teria repassado dinheiro para eleger o presidente é "fantasiosa". De acordo com o ministro, o PT não recebeu dinheiro nem de Cuba, nem de outros países.

O suposto repasse de dólares cubanos foi denunciado no ano passado pela revista "Veja". Em entrevista à revista, o ex-funcionário da prefeitura de Ribeirão Preto na gestão de Palocci, Vladimir Poleto, teria confessado o transporte do dinheiro em garrafas de bebida. No depoimento desta quinta, o ministro negou qualquer relação direta com Poleto.

Palocci, que foi coordenador do programa econômico do candidato Lula na campanha de 2002, negou também que a campanha petista tenha usado caixa dois. "Com o envolvimento que tive na campanha, saberia se isso estivesse ocorrido", disse Palocci, em resposta ao senador Álvaro Dias (PSDB-PR). "Foi uma campanha que teve relativa condição para garantir seus recursos", disse, sendo taxativo: "não pratiquei caixa 2".

Propina em Ribeirão
O ministro desmentiu também a denúncia de que a prefeitura de Ribeirão Preto teria recebido R$ 50 mil mensais da empresa Leão Leão --quantia que teria sido repassada ao PT. Ao recordar que havia recebido recursos oficiais da Leão Leão para a própria campanha a prefeito, ele observou que não haveria sentido, depois disso, em solicitar à mesma empresa recursos não oficiais.

Garibaldi apontou "fortes indícios" de que a prefeitura teria aumentado a extensão da área de varrição, na limpeza pública, supostamente para beneficiar a Leão Leão. Palocci confirmou o aumento da área, mas disse que o aumento da varrição estaria ligado à extensão do serviço a bairros populares que não teriam sido beneficiados anteriormente.

Garibaldi quis saber do ministro os reais motivos da demissão da prefeitura de seu então secretário de Governo, Rogério Buratti, autor das denúncias de pagamento de propina pela Leão Leão. De acordo com a informação do ministro, Buratti teria sido exonerado por haver feito uma gravação de conversa que manteve com empresário que prestava serviços à prefeitura.

Palocci relatou ainda não haver rompido relacionamento com Buratti neste momento, mas admitiu que se afastou "naturalmente" dele e deixou de ter contato com o advogado a partir das denúncias de que Buratti teria cobrado propina da multinacional Gtech para garantir a renovação de contrato da empresa com a Caixa Econômica Federal.

GTech
A propósito do caso da Gtech, Palocci considerou "exemplar" a conduta da diretoria da Caixa no caso e citou relatório nesse sentido do Tribunal de Contas da União (TCU). Ele observou que a Caixa prolongou contrato com a Gtech para evitar a paralisação dos serviços das loterias. Depois disso, prosseguiu, a Caixa obteve na Justiça o direito de abrir novas licitações.

Ao ser questionado pelo relator a respeito das inúmeras ligações telefônicas entre seu assessor Ademirson Silva, o ex-secretário de Finanças de Ribeirão Preto Ralf Barquete e o funcionário da prefeitura Vladimir Poletto, Palocci disse também haver estranhado o número e conversado com Ademirson. O assessor lhe teria informado que a quantidade de ligações era exagerada e que os temas tratados seriam "de cunho pessoal".

O ministro disse ainda que não pode responder pelo trabalho de antigos assessores seus em Brasília. "Digo apenas que não tem relacionamento com a minha atividade".

Bingos
O ministro negou ainda qualquer tipo de acordo com empresários de bingos para legalizar o jogo no Brasil. Em troca, eles teriam dado contribuições à campanha eleitoral do PT em 2002.

"A informação é falsa. Não houve compromisso sobre a legalização de bingos. Nunca fiz reunião com empresários para discutir bingos", disse o ministro.

Processos
Questionado mais de uma vez sobre por que não processa as pessoas que têm feito acusações contra ele, o ministro afirmou que vai esperar até o final das investigações para tomar algum tipo de providência contra acusações falsas.

"Não processei e não vou processar ninguém durante a investigação", afirmou, ao responder questionamento do senador Álvaro Dias (PSDB-PR).


Depoimento
O ministro foi convidado a depor na CPI depois que o advogado Rogério Buratti acusou um dos ex-assessores de Palocci na prefeitura de Ribeirão Preto, Ralf Barquete, de receber R$ 50 mil por mês da empresa Leão&Leão, responsável pela coleta de lixo e entulho na cidade. Palocci nega a existência do repasse, principalmente como forma sistemática de contribuição para o PT.

O ministro rebateu informações dadas pela imprensa de que teria ameaçado pedir demissão caso fosse convocado para depor na CPI. "Jamais usaria a sensibilidade do meu cargo para constranger a comissão", disse o ministro, que também foi acusado de tentar impedir o depoimento de Adhemar Palocci, seu irmão. Adhemar trabalha na Eletronorte e foi acusado em reportagem da TV Globo de arrecadar dinheiro com empresas do setor elétrico para campanhas eleitorais.

O depoimento de Palocci na CPI dos Bingos começou a ser discutido há cerca de três meses. Entre os principais pontos de discussão entre os parlamentares da comissão estava a forma como o ministro iria à comissão para esclarecer suposto esquema de corrupção na prefeitura de Ribeirão Preto. Um acordo entre senadores da oposição e do governo resultou na aprovação apenas da "presença" do ministro na comissão. Na prática, ele não iria como convocado, mas como convidado, podendo negociar a data do depoimento.

Com informações da Agência Senado e da Agência Brasil


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