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19/11/2004 - 12h16
Chinês ensina como dar a volta ao mundo com 3 mil dólares
Por Antonio Broto
Pequim, 19 nov (EFE).- Um viajante chinês se transformou em
celebridade em seu país por ter conseguido dar a volta ao mundo
gastando apenas 3 mil dólares, e agora faz conferências para ensinar
o segredo das viagens baratas a seus compatriotas.
Zhu Zhaorui, de 33 anos e natural de Shenyang, no nordeste da
China, publicou, em 2003, um livro chamado "I made globe-trot by
3000$". Desde então, passa de uma universidade para outra relatando
suas aventuras pelo mundo.
A viagem de Zhu começou em 14 de julho de 2002, em Xangai. Ele
passou por 28 países em 77 dias, nos quais gastou apenas 682 dólares
em passagens de avião. Cruzou quatro oceanos, chegando a lugares
como EUA, Grécia, Portugal, México e Nova Zelândia.
"Não pude conhecer profundamente a cultura dos países que
visitei, mas amadureci muito", disse Zhu num de seus recentes
diálogos com estudantes publicado por um jornal da cidade de Dalian
(nordeste da China).
Zhu, como Phileas Fogg e sua volta ao mundo em 80 dias, ganhou
com a viagem uma aposta com um estudante da Universidade de
Cambridge, que tinha garantido que ele não seria capaz de realizar
uma façanha gastando tão pouco dinheiro.
Em suas palestras, Zhu contou que o mais importante para
economizar numa viagem deste tipo é o planejamento prévio, já que
ele preparou o itinerário durante seis meses e, quando partiu, já
tinha quase todos as passagens de avião compradas, graças à
Internet.
Zhu foi estudar em Londres em 2001, desencantado ao ser
abandonado pela namorada. Na capital britânica, descobriu que,
apesar de a vida ser muito mais cara do que em seu país, viajar era
muito barato, especialmente com as ofertas de vôos que apareciam na
rede.
Mas a idéia de realizar a viagem pelo mundo usando a menor
quantidade de dinheiro possível surgiu quando um companheiro lhe
disse que os chineses não eram adeptos das viagens e, por isso, eram
incapazes de dar uma volta ao mundo.
"Viajei de Londres a Praga pelo preço de uma Coca-Cola grande",
destaca o viajante em seu livro.
Com 18 anos de idade, ele já tinha ido de bicicleta do nordeste
ao sudoeste da China, percorrendo mais de 3 mil quilômetros.
Quanto à hospedagem, Zhu aconselha que assim que o viajante
chegue a um destino, deve logo adquirir o jornal local para se
informar sobre hotéis e pensões baratas.
Assim, ele conseguiu se hospedar dois dias numa cidade cara como
Sydney por 23 dólares graças a uma oferta no jornal. Mas quando não
havia promoções e o tempo permitia, Zhu optava por dormir a céu
aberto, segundo contou ao "Diário da Juventude de Pequim".
Seu livro está cheio de histórias, como o tiroteio que enfrentou
em Israel ou problemas na alfândega da Austrália, onde teve
confiscado um fungo utilizado na cozinha chinesa e que as
autoridades australianas não viam com bons olhos.
Zhu, estudante de Economia - o que, segundo ele, o ajudou em sua
viagem - publicou recentemente uma edição em inglês de seu livro,
que já é vendida em países como Estados Unidos, Canadá e Reino
Unido.
Aproveitando sua fama, o jovem escritor prepara um novo livro com
o qual explicará aos leitores chineses como obter vistos em
diferentes países, algo muito complicado atualmente para os cidadãos
deste país.
Em maio de 2005, organizará uma viagem em grupo pela Europa,
América Latina, Austrália e Antártida, e aquele que quiser
acompanhá-lo pagará a mesma quantia que o tornou famoso na China e
nos países de língua inglesa: 3 mil dólares.
As experiências de Zhu são muito admiradas pelos jovens chineses,
no momento que as viagens ao exterior estão sendo cada vez mais
permitidas, mas o poder aquisitivo dos cidadãos do país ainda não é
muito alto.
A partir deste ano, os países da UE e da América Latina possuem o
estatuto de "destino autorizado" pelo governo de Pequim, e por isso
as agências de viagens chinesas já podem organizar tours para esses
lugares.
A Organização Mundial de Turismo (OMT) prevê que à medida que a
economia chinesa se desenvolva, aumentará o número de turistas do
país no exterior. Em 2010, segundo a OMT, a China deve ser a maior
fonte de viajantes no planeta.

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