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 Economia

20/03/2006 - 11h29
Riad autoriza estrangeiros a investir diretamente na Bolsa saudita

RIAD, 20 mar (AFP) - Determinadas a devolver estabilidade à Bolsa de Riad após a forte queda da semana passada, as autoridades sauditas anunciaram nesta segunda-feira que os estrangeiros no reino poderão, a partir do próximo sábado, investir diretamente no mercado local.

Esta medida foi adotada em resposta "às diretrizes do rei Abdullah, para permitir aos residentes não sauditas investir diretamente no mercado financeiro, e não apenas em fundos de investimentos", destacou a Bolsa de Riad em um comunicado sobre seu site.

A medida entrará em vigor no próximo sábado, 25 de março de 2006, e há contatos em curso com os bancos e outras partes interessadas para a implementação, antes dessa data, dos dispositivos técnicos necessários, acrescenta o texto.

Semana passada, o governo saudita tinha anunciado que analisaria medidas para injetar liquidez no mercado, entre elas a possibilidade de abrir as portas aos investimentos estrangeiros diretos.

Até agora, o mercado estava aberto apenas aos sauditas e aos investidores de cinco outros países do Conselho de Cooperação do Golfo (Bahrein, Emirados árabes, Kuwait, Omã e Qatar).

Da população total de aproximadamente 23 milhões de habitantes da Arábia Saudita, cerca de seis milhões são estrangeiros.

Os não-residentes não serão autorizados a investir no mercado saudita, confirmou o porta-voz da Bolsa, Abdelaziz el-Zoum, ao canal de televisão Al-Arabiya.

O ministro saudita das Finanças, Ibrahim Al-Assaf, avisou em declarações à imprensa que "seriam adotadas rígidas medidas para prevenir qualquer operação de lavagem de dinheiro ou a entrada de capital especulativo no mercado saudita, após sua abertura aos residentes estrangeiros".

O índice Tasi da Bolsa de Riad terminou a sessão desta segunda-feira em alta de 1%, a 16.559,15 pontos. A relativa fragilidade desta alta confirma a intensidade da correção em curso. O Tasi continua cerca de 20% abaixo de seu nível recorde de 20.634,86 pontos, alcançado em 25 de fevereiro.

A Bolsa de Riad aparece como gigante regional, já que representa mais da metade da capitalização dos mercados árabes.

Após vários anos de ganhos colossais, devido a uma especulação em massa, o mercado saudita caiu fortemente nos últimos dias, derrubando os mercados de outras riquíssimas monarquias petroleiras do Golfo.

Os operadores sauditas, que investem em massa em todas as praças financeiras do Oriente Médio, entre as quais as do Golfo, tiveram de se desfazer de uma parte de seus títulos para ter liquidez e cobrir suas perdas no mercado de Riad.

Além da abertura da Bolsa saudita aos residentes estrangeiros, cujas transferências em divisas ao estrangeiro são estimadas em aproximadamente 12 bilhões de dólares, o príncipe saudita Al-Walid Ben Talal havia anunciado semana passada que sua empresa, Kingdom Holding, investiria até 2,6 bilhões no mercado saudita.

Considerado dono da oitava maior fortuna do mundo pela revista americana especializada Forbes, o príncipe Walid - sobrinho do ex-rei Fahd da Arábia, morto ano passado - disse que a queda do mercado deveu-se a uma "bolha especulativa criada por um grupo de investidores sem escrúpulos".

Fora a Bolsa de Riad e a de Mascate, praticamente estável (+0,09% no fechamento), todas as outras Bolsas da região terminaram a sessão em leve baixa nesta segunda-feira.

Nos Emirados Árabes Unidos, a Bolsa de Dubai perdeu 0,72% e a de Abu Dhabi 1%. Os mercados de Doha e Barein terminaram respectivamente em queda de 0,6% e 0,17%, enquanto a Bolsa do Kuwait perdia 1,4% no encerramento das operações.

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