| |  |  29/02/2008 - 11h03 Celso Amorim acha possível concluir rodada de Doha em 2008 CIDADE DE CINGAPURA, 29 Fev 2008 (AFP) - A rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) pode ser concluída este ano se os países fizerem um esforço para avançar nas negociações durante a reunião da entidade prevista para abril, afirmou o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim.
"Sim, acredito que é uma oportunidade para chegar a um acordo", declarou Amorim em Cingapura, de volta do Vietnã, onde esteve para uma visita de dois dias.
As palavras do chanceler contrastam com as declarações do comissário europeu do Comércio, Peter Mandelson, para quem existe "um grande risco de fracasso", exceto se os negociadores puderem restaurar o equilíbrio entre as exigências de cada parte.
Segundo o comissário britânico, chefe dos negociadores da União Européia (UE), a comunidade internacional pode sofrer "o primeiro fracasso da história em uma rodada de negociações comerciais multilaterais".
"Este fracasso seria um sinal de que a comunidade internacional simplesmente não é capaz de chegar a um acordo quando se trata de governança econômica, o que afetará os esforços para buscar soluções para questões como mudança climática e os fluxos financeiros", prosseguiu Mandelson.
"Quero dizer uma vez mais que estamos diante da última oportunidade de encontrar um acordo", acrescentou o comissário.
Mandelson se pronunciou a favor de um acordo, mesmo que imperfeito, no lugar de um fracasso.
"A perfeição não está sobre a mesa. Os negociadores não poderão levar para casa nenhum triunfo. Mas há um acordo ao alcance das mãos, que levará o sistema multilateral mais longe do que nunca em termos de desenvolvimento", concluiu.
A rodada de Doha da OMC deveria ter sido concluída em 2004, mas está paralisada por divergências entre os países emergentes, que pedem mais abertura dos mercados agrícolas da Europa e dos Estados Unidos, e os países desenvolvidos, que desejam maior acesso para seus bens industriais e de serviços.
Em abril, a OMC organizará uma reunião ministerial para tentar obter um acordo Norte-Sul que estimule as negociações.
"É uma rodada de negociações que deve se dirigir às necessidades de desenvolvimento dos países e isto significa, embora não exclusivamente, agricultura", disse Amorim.
Para o ministro brasileiro, as maiores concessões devem vir daqueles que podem dar mais, ou seja, dos países desenvolvidos.
"Não somente porque é uma questão de justiça, e sim por uma razão histórica, já que as negociações comerciais de outras rodadas passadas sempre se concentraram em produtos manufaturados e os bens agrícolas ficaram relegados para trás", concluiu.  |  | |