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31/08/2008 - 09h36
Pilotos da Ryanair denunciam que empresa raciona combustível
Londres, 31 ago (EFE).- Pilotos da companhia aérea irlandesa de
vôos de baixo custo Ryanair denunciaram que a companhia raciona a
reserva de combustível de segurança a fim de reduzir custos, segundo
informações de hoje do jornal "The Sunday Times".
O jornal afirma que teve acesso a um memorando interno da empresa
enviado aos pilotos em maio passado, no qual a companhia reduz o
direito do comandante do avião de requerer combustível adicional.
Os pilotos consideram que a medida compromete a segurança dos
passageiros às custas do atual encarecimento do petróleo.
Segundo as normas européias, cada avião comercial deve
transportar uma carga de "contingência" equivalente a 5% do
combustível necessário para um vôo, a fim de fazer frente a
situações excepcionais, como um desvio imprevisto para um aeroporto
alternativo.
Além disso, os pilotos têm o dever de solicitar mais combustível
para suprir eventuais atrasos em virtude de ventos contrários,
tempestades ou desvios de rota.
Os pilotos da Ryanair, líder européia de vôos de baixo custo, têm
um limite de 300 quilos de combustível adicional, cujo preço é de
mais de 180 libras (227 euros), e qualquer requerimento deve ser uma
"exceção", não uma regra, segundo o memorando.
Evan Cullen, um piloto com 19 anos de experiência e presidente da
Associação dos Pilotos de Companhias Aéreas Irlandesas (Ialpa, em
inglês), afirmou que essa pressão sobre seus colegas para economizar
custos põe em perigo a segurança dos passageiros.
"Devido ao elevado preço do combustível, os pilotos estão sendo o
alvo (das companhias aéreas). Eles são pressionados a usar menos
combustível, o que reduz as margens de segurança. Agüentar a pressão
depende do piloto, mas não é fácil", disse Cullen.
Segundo o jornal, o documento mostra que a Ryanair envia cartas
de advertências, que podem ser utilizadas em processos
disciplinares, aos pilotos que pedem mais combustível sem
explicação.
Os pilotos da companhia aérea reclamaram, através de mensagens
anônimas divulgadas no site da Associação de Pilotos Europeus da
Ryanair.
Um porta-voz da companhia aérea rejeitou as queixas dos pilotos,
embora tenha admitido que o combustível adicional só é permitido em
"casos excepcionais".

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