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05/07/2004 - 09h01
Apresentadora de TV maltratada perdoa marido em troca de dinheiro

Riad, 5 jul (EFE).- A famosa apresentadora de TV da Arábia Saudita Rania al-Baz, que foi brutalmente espancada por seu marido, perdoou seu agressor, que graças à nobreza de sua mulher ganhou de volta a liberdade depois de passar um mês preso.

Rania al-Baz, estrela do programa matinal da televisão pública saudita, decidiu aceitar a indenização oferecida pelo marido em troca do seu perdão, como autoriza a "sharia" (lei islâmica).

O jornal saudita "Arab News", que publica a notícia, não dá detalhes sobre o acordo nem divulga a quantidade aceita pela apresentadora. A publicação se limita a reproduzir uma declaração de Rania, na qual esta indica que optou por este caminho para "acabar com um caso que se alongava e tinha muita publicidade".

No dia 4 de abril, Al-Baz foi internada em um hospital de Riad com o rosto desfigurado - com 13 fraturas - e o corpo repleto de machucados causados pela brutal surra que levou de seu marido, o cantor Mohamed Bakar Yunus al-Fallatta.

Al-Fallatta deixou sua mulher, que ele acreditava estar morta, na porta do hospital e disse aos médicos que tinha sido vítima de um acidente de trânsito e que tinha que voltar para socorrer o resto dos feridos.

No entanto, Al-Baz recuperou a consciência e decidiu denunciar o ocorrido para dar destaque a um problema comum na Arábia Saudita, segundo ele mesma ressaltou à imprensa.

A denúncia causou certa comoção na conservadora sociedade saudita, onde as homens têm mais direitos do que as mulheres, quase sempre indefesas.

Al-Baz explicou que não era a primeira vez que seu marido a agredia e que várias vezes tinha pedido o divórcio, mas que, com a recusa de Al-Fallatta, decidiu continuar com ele devido ao medo de perder a custódia dos filhos.

Segundo a lei islâmica, em caso de divórcio, os filhos ficam com a mãe até os 7 anos, momento no qual o pai tem a opção de reclamar sua custódia, que só é negada em casos muito especiais.

A custódia das filhas é sempre, e em qualquer caso, dada aos pais.

"As duas partes assinaram um acordo relativo aos dois filhos que protege os direitos de todas as partes", disse ao jornal saudita o advogado de Al-Baz, Omar al-Jouli.

Al-Fallatta se entregou à polícia em 19 de abril e foi julgado por "maus tratos", embora, a princípio, tenha sido pedido que ele respondesse ao crime de "tentativa de assassinato frustrado".

Em maio, ele foi condenado a seis meses de prisão e ao recebimento de 300 chicotadas.

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