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16/09/2004 - 15h23
Ivan, "o terrível", deixa 82 mortos no Caribe e nos EUA
Por Carlos Rojas Lindsay
Miami (EUA), 16 set (EFE).- Pelo menos 82 pessoas morreram até
agora em decorrência da passagem do devastador furacão Ivan, que,
depois de atingir o Caribe, entrou nos estados americanos de Alabama
e Flórida.
Na madrugada desta quinta-feira, o Ivan chegou ao Alabama e à
Flórida e matou 12 pessoas, provocando a evacuação de mais de dois
milhões de pessoas residentes nas cidades de Nova Orleans
(Louisiana) e Mobile (Alabama).
Na Flórida, as mortes aconteceram devido à formação de cerca de
doze tornados que precederam a passagem do Ivan pelas cidades de
Blountstown, Panamá City e Milton.
Na cidade de Gulf Shores (Alabama), quatro pessoas morreram,
segundo informaram as autoridades.
Previamente, o Ivan tinha deixando pelo menos 70 mortos em
Barbados, Granada, Haiti, Jamaica, República Dominicana, Trinidad e
Tobago, Antilhas Holandesas, Venezuela, Ilhas Cayman, Cuba e México.
O presidente americano, George W. Bush, assinou hoje um decreto
que declara zona de desastre os estados de Mississippi, Louisiana e
Alabama.
"Quando a documentação estiver pronta (provavelmente ainda
hoje)", isso será feito com a Flórida.
Pouco a pouco as mais de duas milhões de pessoas evacuadas para
refúgios mais seguros começaram a sair deles à medida que o Ivan
perdeu intensidade e rumou para o norte.
Os primeiros relatórios indicam que, além dos 12 mortos
registrados até agora nos EUA, cerca de 704.500 casas e lojas
carecem de luz e água.
Duzentos e sessenta mil no Alabama, 36.500 na Louisiana, 70.000
no Mississippi e 338.000 casas na Flórida somam-se agora aos 20.000
que ainda permanecem sem energia por causa do furacão Frances, que
assolou o centro do estado há apenas 12 dias.
As relativas boas notícias provêm de Nova Orleans, onde algumas
notas de jazz já começaram a ressoar na popular Bourbon Street, no
Bairro Francês, em um sinal de alívio. Temia-se que o Ivan afetasse
de forma devastadora esta cidade, que fica abaixo do nível do mar.
Cerca de 38.000 casas estão sem luz e não há notícias referentes
a inundações relevantes.
As autoridades dos quatro estados afetados exortaram seus
residentes a não "baixar a guarda", já que as intensas chuvas
associadas ao imenso espiral do Ivan, cujo diâmetro ainda é de cerca
de 700 quilômetros, ainda podem causar graves inundações.
De acordo com o relatório das 12:00 de Brasília do Centro
Nacional de Furacões (NHC, em inglês), o Ivan continua perdendo
força, com ventos de 120 quilômetros por hora, o que ainda o
classifica como um furacão de categoria um na escala Saffir-Simpson,
que vai até cinco.
O Ivan continuará perdendo intensidade e desaparecerá
provavelmente nas próximas 36 horas, durante seu trânsito por terra
firme.
Enquanto o Ivan segue sua devastadora travessia pelo sudeste dos
EUA, as autoridades americanas começaram hoje a "vigiar atentamente"
o furacão Jeanne, o sexto da temporada.
Apesar de o Jeanne, que já deixou pelo menos dois mortos em Porto
Rico, ameaçar hoje a República Dominicana e as Bahamas no fim de
semana, as projeções dos meteorologistas americanos indicam que, na
segunda ou na terça-feira, poderia afetar a costa leste do país,
incluindo a Flórida e as duas Carolinas.
Durante a temporada ciclônica atlântica de 2004, que começou em 1
de junho e acaba em 30 de novembro, formaram-se seis furacões e nove
tempestades.
Até o momento, três desses furacões -Charley, Frances e Ivan-
oscilaram entre as categorias quatro e cinco (a mais perigosa) da
escala Saffir-Simpson. Os três afetaram gravemente a Flórida.
Os especialistas previram que haveria entre doze e quinze
tempestades tropicais e entre seis e oito furacões, dos quais entre
dois e quatro poderiam ser de grande intensidade.

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